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Sol Sertão Online
Colunista
Um surto de hantavírus em um navio de cruzeiro holandês, o MV Hondius, reacendeu o alerta sobre a periculosidade desta família de vírus. Após deixar a Argentina em direção ao Oceano Atlântico, a embarcação registrou a morte de três passageiros. Recentemente, outros três passageiros, incluindo um cidadão britânico, foram evacuados para a Holanda para receber tratamento médico especializado.
A Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (UKHSA) informou que pessoas expostas ao vírus já se encontram em isolamento domiciliar, enquanto o navio segue viagem rumindo às Ilhas Canárias.
O hantavírus não é uma doença única, mas uma família que engloba mais de 20 espécies virais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a transmissão ocorre predominantemente por meio de roedores, através do contato com urina e fezes ressecadas desses animais.
A infecção acontece quando o ser humano inala partículas do vírus suspensas no ar — geralmente ao movimentar resíduos contaminados — ou por meio de mordidas de ratos. As cepas mais agressivas do vírus são extremamente letais, com taxas de mortalidade que variam entre 20% e 40%.
Sobreviventes da doença descrevem a experiência como devastadora. O canadense Lorne Warburton, internado em 2023, relatou que os sintomas iniciais eram semelhantes aos da Covid-19, incluindo dores no corpo, fadiga e dor de cabeça. O quadro evoluiu rapidamente para dificuldade respiratória grave, exigindo o uso de aparelhos de suporte à vida.
"O nível de enfermidade pelo qual passei foi um inferno na terra", afirmou Warburton, que levou um ano e meio para recuperar parte de sua força física e ainda convive com a fibrilação atrial, um distúrbio do ritmo cardíaco.
Outro caso grave ocorreu na Alemanha, onde Christian Ege desenvolveu insuficiência renal e sepse após a infecção. Ege, que teve a presença do vírus confirmada por amostras encontradas em seu jardim, precisou passar por sessões de diálise em UTI para sobreviver.
Atualmente, não existe vacina amplamente disponível nem tratamento antiviral específico para as infecções por hantavírus. A abordagem médica é baseada em suporte hospitalar rigoroso, com controle de sintomas e assistência respiratória intensiva.
A recuperação dos pacientes costuma ser lenta e complexa, exigindo paciência e acompanhamento multidisciplinar para que as sequelas físicas e emocionais sejam minimizadas.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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