Guerra no Irã Dispara Preço do Querosene de Aviação no Brasil e Passagens Aéreas Devem Subir
Economia

Guerra no Irã Dispara Preço do Querosene de Aviação no Brasil e Passagens Aéreas Devem Subir

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Sol Sertão Online

Colunista

2 de abril de 2026
5 min de leitura

A escalada de tensões no Oriente Médio, centrada no conflito entre Irã e Estados Unidos, tem reflexos diretos e severos no setor aéreo brasileiro. Na última quarta-feira, a Petrobras anunciou um aumento significativo de 54,6% no preço do querosene de aviação (QAV), elevando o acumulado desde o início da guerra para 64%. Apesar de a estatal afirmar que apenas 18% do reajuste ocorrerá em abril, com o restante parcelado em seis meses, o cenário para os consumidores é de apreensão.

Crise Global com Impacto Brasileiro

O conflito no Irã impacta o preço do petróleo globalmente devido ao controle do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. A elevação dos preços do barril de Brent, que antes da invasão americana custava US$ 71,32 e chegou a ultrapassar US$ 115 em março, reflete diretamente no custo do QAV, um derivado direto do petróleo. No Brasil, essa vulnerabilidade é agravada pela política de Paridade de Preço de Importação (PPI) da Petrobras, que atrela os preços internos às cotações internacionais e à variação do dólar, mesmo com a maior parte do QAV sendo produzida nacionalmente.

Em tempos normais, o combustível de aviação já representa cerca de 40% dos custos totais das companhias aéreas brasileiras, bem acima da média mundial de 27%. Com os recentes reajustes, esse percentual pode atingir 45%. Adicionalmente, as companhias aéreas precisam desviar de rotas consideradas de risco, o que pode aumentar o tempo de voo e, consequentemente, o consumo de querosene.

Medidas Governamentais e Alerta aos Consumidores

Diante da gravidade da situação, o governo federal estuda um pacote de medidas para mitigar os impactos no setor, que pode incluir cortes de tributos federais sobre o QAV e a criação de uma linha de crédito emergencial. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) acompanha o cenário de perto, mas reconhece que algum repasse para as passagens aéreas é provável, caso a guerra se prolongue.

Especialistas alertam os consumidores para a possibilidade de aumentos expressivos nos preços das passagens. A recomendação é antecipar a compra de bilhetes para o restante do ano, aproveitando preços que podem sofrer repasses abruptos e, com a possível redução da oferta de voos, seguir a lei da oferta e demanda, elevando ainda mais os custos.

Incertezas Jurídicas e a Busca por Alternativas

As incertezas em relação aos direitos dos passageiros em caso de cancelamentos também se intensificam. Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu processos contra companhias aéreas por eventos de “fortuito externo” ou força maior, aguardando a definição sobre qual código — o de Defesa do Consumidor ou o de Aeronáutica — prevalecerá. Especialistas divergem se conflitos prolongados como o do Irã devem ser classificados como força maior.

Apesar do cenário turbulento, a crise pode impulsionar a busca por alternativas mais sustentáveis. O Sustainable Aviation Fuel (SAF), biocombustível produzido a partir de resíduos, surge como uma opção promissora. Embora historicamente mais caro, a disparada do petróleo torna a diferença econômica menos acentuada. O Brasil, com sua vasta reserva de biomassa e experiência em biocombustíveis, tem potencial para se tornar um grande produtor de SAF, o que também traria independência geopolítica. A Lei do Combustível do Futuro já prevê a obrigatoriedade do uso de SAF a partir de 2027, e empresas como a LATAM já iniciaram sua utilização.


Referência: Informações adaptadas de G1.

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