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Foragido por feminicídio brutal é capturado no Paraguai após 30 anos vivendo sob falsa identidade
Mundo
Como polícia desmascarou assassino brasileiro que ficou foragido no Paraguai por décadas — Foto: Divulgação/SENAD

Foragido por feminicídio brutal é capturado no Paraguai após 30 anos vivendo sob falsa identidade

SS

Sol Sertão Online

Colunista

23 de abril de 2026
5 min de leitura

Um brasileiro que vivia foragido da Justiça há mais de três décadas foi preso no Paraguai na última quarta-feira (15). Marcos Campinha Panissa, condenado por um crime brutal cometido no Brasil, mantinha uma vida dupla sob a identidade falsa de José Carlos Vieira.

O Crime e a Fuga

O crime ocorreu em agosto de 1989, em Londrina, no Paraná. Marcos matou a ex-mulher, Fernanda Estruzani, com 72 facadas dentro do apartamento da vítima. Na época, o crime foi registrado como homicídio, pois a tipificação de feminicídio ainda não existia na legislação brasileira.

Após passar por dois julgamentos em liberdade, o criminoso desapareceu em 1995, pouco antes de um terceiro júri. Desde então, seu nome integrava a lista de difusão vermelha da Interpol, sendo um dos alertas de procurados mais antigos da Polícia Federal.

A Vida Sob Falsa Identidade

Instalado no Paraguai há cerca de 20 anos, Marcos reconstruiu sua vida como um comerciante discreto. Casou-se, teve uma filha e abriu negócios, incluindo uma loja de ferragens e materiais agrícolas. Para a família e vizinhos, ele era apenas José Carlos Vieira, um homem comum que jamais revelou seu passado.

Autoridades paraguaias acreditam que a esposa e a filha do brasileiro desconheciam a verdadeira identidade do pai e a natureza do crime cometido no Brasil, ficando chocadas com a revelação durante a prisão.

Operação Memento Mei

A captura foi resultado de um trabalho conjunto entre a Polícia Federal do Brasil, o Ministério Público do Paraná e a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad). Através de inteligência compartilhada, os agentes localizaram o foragido em San Lorenzo, região metropolitana de Assunção.

A ação foi batizada de Operação Memento Mei (expressão em latim que significa "lembre-se de mim"), em alusão à importância de não esquecer as vítimas de feminicídio. Ao ser abordado e chamado pelo seu nome real, Marcos ficou paralisado, surpreendido por ouvir sua verdadeira identidade após décadas de clandestinidade.

Desfecho Judicial

Em 2008, com a mudança na lei que permitiu julgamentos sem a presença do réu, Marcos foi condenado à revelia a 19 anos de prisão. Após ser expulso do território paraguaio por irregularidades migratórias, ele foi entregue à Polícia Federal na Ponte Internacional da Amizade para o devido cumprimento da pena.

A defesa do condenado afirmou que pretende ingressar com um recurso para a revisão criminal, visando a redução da pena, embora tenha reconhecido a confissão do crime.


Referência: Informações adaptadas de G1.

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