Sol Sertão Online
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Um brasileiro que vivia foragido da Justiça há mais de três décadas foi preso no Paraguai na última quarta-feira (15). Marcos Campinha Panissa, condenado por um crime brutal cometido no Brasil, mantinha uma vida dupla sob a identidade falsa de José Carlos Vieira.
O crime ocorreu em agosto de 1989, em Londrina, no Paraná. Marcos matou a ex-mulher, Fernanda Estruzani, com 72 facadas dentro do apartamento da vítima. Na época, o crime foi registrado como homicídio, pois a tipificação de feminicídio ainda não existia na legislação brasileira.
Após passar por dois julgamentos em liberdade, o criminoso desapareceu em 1995, pouco antes de um terceiro júri. Desde então, seu nome integrava a lista de difusão vermelha da Interpol, sendo um dos alertas de procurados mais antigos da Polícia Federal.
Instalado no Paraguai há cerca de 20 anos, Marcos reconstruiu sua vida como um comerciante discreto. Casou-se, teve uma filha e abriu negócios, incluindo uma loja de ferragens e materiais agrícolas. Para a família e vizinhos, ele era apenas José Carlos Vieira, um homem comum que jamais revelou seu passado.
Autoridades paraguaias acreditam que a esposa e a filha do brasileiro desconheciam a verdadeira identidade do pai e a natureza do crime cometido no Brasil, ficando chocadas com a revelação durante a prisão.
A captura foi resultado de um trabalho conjunto entre a Polícia Federal do Brasil, o Ministério Público do Paraná e a Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad). Através de inteligência compartilhada, os agentes localizaram o foragido em San Lorenzo, região metropolitana de Assunção.
A ação foi batizada de Operação Memento Mei (expressão em latim que significa "lembre-se de mim"), em alusão à importância de não esquecer as vítimas de feminicídio. Ao ser abordado e chamado pelo seu nome real, Marcos ficou paralisado, surpreendido por ouvir sua verdadeira identidade após décadas de clandestinidade.
Em 2008, com a mudança na lei que permitiu julgamentos sem a presença do réu, Marcos foi condenado à revelia a 19 anos de prisão. Após ser expulso do território paraguaio por irregularidades migratórias, ele foi entregue à Polícia Federal na Ponte Internacional da Amizade para o devido cumprimento da pena.
A defesa do condenado afirmou que pretende ingressar com um recurso para a revisão criminal, visando a redução da pena, embora tenha reconhecido a confissão do crime.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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