
Sol Sertão Online
Colunista
Atingir a marca de 300 jogos como profissional aos 29 anos é mais do que uma estatística para o atacante Felipe Vizeu. Para o jogador, o número representa uma jornada de renúncias, aprendizados e a capacidade de se reinventar em diferentes continentes e culturas.
Natural de Três Rios, no interior do Rio de Janeiro, Vizeu recorda com humildade o início de sua trajetória, quando pedalava quilômetros para treinar futsal antes de buscar novas oportunidades em Cabo Frio. O talento logo o levou ao América Mineiro e, posteriormente, ao Flamengo, onde ganhou projeção nacional.
No Ninho do Urubu, Vizeu destacou-se na base com números impressionantes, chegando a marcar 44 gols em uma única temporada. Ao subir para o profissional em 2016, encontrou em Paolo Guerrero uma referência fundamental para seu amadurecimento técnico e tático, utilizando o espelho do veterano para evoluir em campo.
O auge inicial ocorreu em 2017, quando o centroavante foi peça-chave na campanha do Flamengo na Copa Sul-Americana, terminando a competição como um dos artilheiros e consolidando sua imagem perante a torcida rubro-negra.
A visibilidade levou Vizeu à Udinese, na Itália, em 2018. Influenciado pela transferência de Cristiano Ronaldo para a liga italiana, o atacante buscou a mesma exposição, mas enfrentou dificuldades de adaptação e a falta de suporte adequado na época, o que resultou em um aprendizado forçado sobre maturidade.
A carreira internacional ainda incluiu passagens pelo Akhmat Grozny, na Rússia — experiência marcada por dificuldades durante a pandemia —, e pelo Yokohama FC, no Japão, onde encontrou um ambiente positivo e competitivo, chegando inclusive a negociar um retorno ao Brasil para defender o Vasco, embora a burocracia tenha impedido o acerto.
No Brasil, Vizeu passou por clubes como Grêmio, onde destacou a competência de Renato Gaúcho, e Ceará. No entanto, foi no Criciúma que viveu um dos períodos mais intensos de sua vida, conquistando o acesso à elite do futebol brasileiro como protagonista e enfrentando a perda do pai, Marco André, em um momento de forte amparo do clube e da comunidade local.
Após uma passagem desafiadora pelo Remo, onde lidou com a pressão psicológica de um jejum de gols, o atleta tentou a sorte na Moldávia, no Sheriff, visando a vitrine da Europa League, mas optou por encerrar o ciclo para buscar novos ares.
Atualmente defendendo o Sporting Cristal, no Peru, após convite de Paulo Autuori, Felipe Vizeu encara mais um recomeço. Com 300 partidas no currículo, o atacante afirma que a maturidade e a experiência são seus maiores ativos hoje, provando que sua história no futebol ainda está longe do fim.
Referência: Informações adaptadas de Ogol.
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