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Sol Sertão Online
Colunista
Um levantamento realizado por pesquisadoras da Unicamp e da Unifesp revelou que livros com personagens animais ou monstros com comportamentos humanos são as escolhas preferidas de crianças hospitalizadas. O estudo, intitulado "Entre bichos e monstros" e publicado na Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos (RBEP), indica que os pequenos preferem seres fantásticos em vez de histórias protagonizadas por seres humanos.
A pesquisa contou com a participação de 174 crianças, entre 6 e 10 anos, internadas no Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas, e no Hospital da Criança Rede D’Or São Luiz, em São Paulo. Segundo a pesquisadora Beatriz Burgo, a leitura atua como um acolhimento que atenua o sofrimento em ambientes desconhecidos e muitas vezes intimidadores, onde a criança está separada de sua família e rotina.
O estudo aponta que personagens como monstros que sentem medo ou animais que usam roupas ajudam a criança a elaborar seus próprios sentimentos. Esse distanciamento imaginativo permite que temas complexos, como a ansiedade e a perda, sejam processados de forma segura e divertida, transportando o paciente para longe da rotina hospitalar.
Um ponto crucial destacado pelas pesquisadoras foi a liberdade de escolha. Enquanto adultos tendem a selecionar livros com viés educativo ou social, as crianças buscam histórias que promovam uma "virada de chave", fugindo do ambiente de internação. Quando puderam escolher suas leituras após analisar capas e resumos, houve um impacto positivo perceptível no bem-estar físico e emocional dos pequenos.
A iniciativa Viva e Deixe Viver exemplifica a aplicação prática desses conceitos. Com quase 30 anos de atuação, a organização mobiliza 721 voluntários em 90 hospitais para promover a literatura e o lúdico. Somente em 2025, a entidade registrou a leitura de mais de 13,4 mil livros.
Valdir Cimino, fundador da associação, define a leitura como um "remédio para a alma". Para ele, o hábito de ler em ambiente hospitalar reduz a percepção da dor, diminui a ansiedade e estimula a imaginação, sendo fundamental para o desenvolvimento cognitivo da criança.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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