
Sol Sertão Online
Colunista
Em um cenário de caos absoluto em Porto Príncipe, a capital do Haiti, o líder criminoso Monel Félix Altes, autodenominado "Rei Micanor", perpetrou um dos massacres mais brutais do século 21 no continente americano. Movido por crenças místicas e paranoia, Micanor ordenou a execução de 207 pessoas entre os dias 6 e 11 de dezembro de 2024, sob a justificativa de romper uma suposta maldição.
A onda de violência foi desencadeada pela doença de seu filho de seis anos, Benson Altes. Influenciado por um sacerdote vodu, o líder da gangue foi convencido de que a enfermidade da criança era obra de "homens-lobos" — feiticeiros anciãos que teriam o poder de matar crianças. Para salvar o filho, Micanor mobilizou suas tropas para caçar e exterminar os idosos do bairro de Wharf Jérémie.
O massacre foi caracterizado por uma crueldade extrema. A maioria das vítimas tinha mais de 60 anos. Testemunhas relatam sequestros violentos, onde idosos eram arrancados de suas casas sob a mira de armas e facões. As vítimas eram levadas para áreas isoladas, torturadas e executadas. Os corpos eram posteriormente incinerados ou jogados nas águas do Caribe para apagar os rastros do crime.
Apesar da carnificina, o objetivo de Micanor não foi alcançado: o pequeno Benson morreu na madrugada de 7 de dezembro. A morte do filho, no entanto, não interrompeu as matanças; ao contrário, intensificou a fúria do criminoso, que ordenou a perseguição aos familiares das vítimas iniciais.
Porto Príncipe encontra-se atualmente sob o domínio da Viv Ansanm, uma poderosa confederação de gangues que controla cerca de 90% da cidade. O Estado haitiano, fragilizado, resiste em pequenas fortalezas com o apoio de missões internacionais e brigadas de autodefesa civil.
Em comunicações interceptadas, Micanor assumiu a responsabilidade pelas mortes, mas negou a prática de um massacre, alegando que estava apenas "limpando a região" de feiticeiros. Analistas apontam que a ação também serviu como uma demonstração de poder e controle territorial diante de possíveis rivais dentro da própria coalizão criminosa.
Até o momento, o massacre de Wharf Jérémie permanece impune. Sobreviventes, que hoje vivem como refugiados em zonas de resistência, relatam que a única justiça que encontram é na memória e nos sonhos, enquanto o "Rei" Micanor continua a governar seu território através do terror e da violência.
Referência: Informações adaptadas de G1.
Carregando autenticação...
Carregando comentários...