
Sol Sertão Online
Colunista
O Exército Brasileiro está finalizando um novo mapeamento de riscos e ameaças à defesa nacional, impulsionado por um cenário internacional cada vez mais instável. O estudo, que deve ser apresentado ao Alto Comando nas próximas semanas, visa adaptar a força terrestre aos conflitos contemporâneos e às demandas das guerras do futuro.
A iniciativa, formalizada por portaria do comandante Tomás Paiva, estabelece a política de transformação da força terrestre. O documento propõe mudanças profundas no desenho institucional, na doutrina militar, nas capacidades operacionais e na formação de seus quadros.
O diagnóstico aponta a necessidade imperativa de acompanhar a tendência global de aumento nos investimentos em defesa. Como referência, países da Otan elevaram seus compromissos de investimento para patamares entre 2% e 5% do PIB.
Além das tensões na Ucrânia e no Oriente Médio, dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) revelam que, em 2024, mais de 30 países enfrentaram conflitos internos, impactando quase metade da população mundial. No Brasil, embora tenham sido destinados R$ 30 bilhões para a modernização das forças armadas em seis anos, o montante é considerado insuficiente diante da real necessidade de reaparelhamento.
Um obstáculo adicional é a escassez global de insumos. A demanda por materiais militares supera a capacidade produtiva mundial, dificultando inclusive a renovação de estoques de munições, o que reforça a urgência de fortalecer a Base Industrial de Defesa nacional.
A nova política destaca a aceleração da inovação tecnológica, com a proliferação de sensores, sistemas não tripulados (drones) e fogos de precisão. No contexto regional, o Exército alerta para a cobiça de potências estrangeiras pelos recursos naturais da América do Sul e a crescente sofisticação do crime organizado transnacional.
Para responder a esses desafios, a força implementará a chamada "dissuasão assimétrica". O objetivo é garantir que pelo menos 20% das tropas mantenham um elevado grau de prontidão para respostas imediatas a ameaças externas, permitindo que o Brasil neutralize riscos mesmo diante de adversários com armamentos superiores.
Cinco brigadas serão prioritárias nesse modelo de prontidão: a Paraquedista (RJ), a Aeromóvel (SP), a de Infantaria de Selva (PA), a de Infantaria Mecanizada (SP) e a de Cavalaria Blindada (PR).
A coordenação dos trabalhos está a cargo da 7ª Subchefia do Estado-Maior do Exército (EME). As diretrizes serão debatidas ao longo do ano e submetidas ao Alto Comando até dezembro. As ações serão integradas imediatamente ao plano estratégico vigente (2024-2027) e nortearão o próximo ciclo, previsto para 2028-2031.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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