
Sol Sertão Online
Colunista
O cenário jurídico do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pode ganhar um novo e decisivo capítulo. Hugo Carvajal Barrios, conhecido como “el Pollo” e antigo chefe da inteligência militar venezuelana, sinalizou o desejo de se tornar informante do governo dos Estados Unidos para testemunhar contra o ditador deposto.
Em uma carta enviada ao presidente Donald Trump em dezembro, Carvajal expressou a vontade de “reparar” erros cometidos no passado, alegando que possui informações cruciais para que os Estados Unidos possam se proteger de perigos que ele testemunhou durante anos de atuação no regime.
No documento, o ex-general detalha a existência de uma conspiração complexa. Entre as acusações, Carvajal afirma que Maduro teria trabalhado para fraudar eleições americanas e conspirado com a gangue Tren de Aragua para infiltrar criminosos, espiões e entorpecentes em solo estadunidense. Tais alegações coincidem com as acusações federais de narcoterrorismo que Maduro enfrenta atualmente em uma prisão no Brooklyn.
Embora o Departamento de Justiça dos EUA não tenha se pronunciado publicamente, há sinais sutis de que um acordo de cooperação esteja em andamento. A audiência de sentença de Carvajal foi adiada recentemente sem a definição de uma nova data. Segundo o advogado Renato Stabile, seria incomum prosseguir com a sentença caso o réu estivesse cooperando com as autoridades.
Outro ponto relevante é o desaparecimento do nome de Carvajal do banco de dados de presidiários do Bureau of Prisons, embora ele continue sob custódia federal, o que reforça a possibilidade de um acordo sigiloso.
Carvajal, que foi íntimo de Hugo Chávez, afirma na carta que o tráfico de drogas foi utilizado como uma arma deliberada contra os Estados Unidos. Ele descreve a estrutura do Cartel de los Soles, liderada por Maduro e altos funcionários, não como uma organização criminosa comum, mas como uma política de Estado coordenada para desestabilizar o país vizinho.
O ex-general rompeu com Maduro em 2019, quando declarou apoio ao líder da oposição Juan Guaidó e buscou refúgio na Espanha. Após anos escondido e submetido a cirurgias plásticas para alterar sua aparência, Carvajal foi extraditado para os Estados Unidos em 2023, onde se declarou culpado de tráfico de drogas e narcoterrorismo em 2025.
Atualmente, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, encontram-se detidos em Nova York após uma operação militar sem precedentes que culminou em sua captura no Palácio Presidencial em Caracas. O governo de Trump reiterou que Maduro orquestrou inúmeros crimes contra os EUA e que agora aguarda a justiça no Distrito Sul de Nova York.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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