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Sol Sertão Online
Colunista
O governo dos Estados Unidos anunciou a oferta de uma recompensa que pode ultrapassar US$ 1 milhão para quem fornecer informações sobre frigoríficos investigados por práticas comerciais abusivas. Entre os alvos da operação estão a JBS e a National Beef (controlada pela Marfrig), além das companhias norte-americanas Cargill e Tyson Foods.
A investigação, que teve início em novembro do ano passado, foi solicitada pelo presidente Donald Trump. A acusação é de que as quatro empresas teriam elevado os preços da carne bovina por meio de um conluio ilícito. Dados do governo apontam que, entre 1980 e 1990, a fatia de gado adquirida por esses frigoríficos saltou de um terço para mais de 80% do rebanho nacional dos EUA.
O Departamento de Justiça informou que a apuração é rigorosa, tendo revisado mais de 3 milhões de documentos e ouvido centenas de pecuaristas e produtores do setor.
Em nota, a Marfrig declarou que respeita as leis de defesa da concorrência e destacou que a National Beef atua em sociedade com 700 produtores locais. A JBS, maior produtora de carne nos Estados Unidos, não se manifestou até o momento.
A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, afirmou que a propriedade estrangeira de grandes processadores de carne representa uma ameaça ao país. Rollins associou as empresas a denúncias de corrupção, cartéis e trabalho escravo. Recentemente, o Ministério Público do Trabalho (MPT) do Pará pediu a condenação da JBS em ao menos R$ 118 milhões por trabalho análogo à escravidão em sua cadeia produtiva.
Além disso, Peter Navarro, conselheiro de Trump, alegou que o lobby da carne, representado por brasileiros, teria tentado pressionar a Casa Branca após a imposição de tarifas, resultando no desvio de carne dos EUA para a China.
O cenário é agravado por fatores climáticos e sanitários. Os estoques de gado nos EUA atingiram o nível mais baixo em quase 75 anos devido a uma seca prolongada. Somado a isso, a suspensão de importações de gado mexicano, motivada por pragas sanitárias, restringiu ainda mais a oferta.
Para conter a alta dos preços, Trump sugeriu a importação de mais carne bovina da Argentina, medida que gerou revolta entre pecuaristas norte-americanos. O presidente, contudo, rebateu as críticas afirmando que a situação econômica dos produtores locais foi beneficiada pelo tarifaço de 50% aplicado a diversos produtos brasileiros em agosto, sendo o Brasil o principal fornecedor de carne para a indústria dos EUA.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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