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Sol Sertão Online
Colunista
Um novo estudo conduzido na Holanda está trazendo luz a questões fundamentais sobre a anatomia feminina que, por décadas, foram negligenciadas pela ciência. Utilizando tecnologia de raio X de alta precisão, pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Amsterdã revelaram a complexidade do sistema nervoso do clitóris, evidenciando que o órgão é muito mais extenso e sofisticado do que o senso comum sugere.
Liderada pela neurocientista Ju Young Lee, a pesquisa utilizou a radiação síncrotron para mapear o órgão em três dimensões. As imagens mostraram que o nervo dorsal do clitóris se ramifica como uma árvore, alcançando a glande, o prepúcio e até o monte púbico. Ao contrário do que se supunha anteriormente, os nervos não afinam ao longo do trajeto, mas continuam se abrindo em ramificações.
O estudo reforça que a maior parte do clitóris permanece no interior do corpo, podendo atingir entre 8 e 12 centímetros de comprimento. A glande visível é apenas a extremidade de uma estrutura robusta, composta por corpos cavernosos que se enchem de sangue durante a excitação sexual, guardando a mesma origem embrionária que o pênis.
Os resultados expõem um problema estrutural na medicina: a disparidade histórica entre a pesquisa de órgãos masculinos e femininos. Enquanto a anatomia do pênis é detalhadamente documentada há décadas, a descrição sistemática do clitóris como um órgão grande e complexo só ocorreu entre o final dos anos 1990 e o início dos anos 2000.
Para a ginecologista Mandy Mangler, esse cenário exemplifica a lacuna de gênero na saúde. Ela observa que, enquanto existe um esforço rigoroso e amplo treinamento para a preservação de nervos em cirurgias penianas, o mesmo nível de conscientização e pesquisa ainda não é a norma para a anatomia feminina.
A precisão anatômica tem aplicações práticas vitais. Segundo Ju Young Lee, o mapeamento detalhado pode ajudar a evitar danos nervosos em procedimentos delicados, como partos, cirurgias de redesignação de gênero e cirurgias reconstrutivas após mutilações genitais. A falta de conhecimento técnico muitas vezes faz com que a perda de sensibilidade pós-operatória não seja associada a danos nos nervos.
Apesar do avanço, a ciência ainda enfrenta desafios. Como a pesquisa analisou amostras de mulheres idosas, a forma como a estrutura e a função do clitóris se transformam durante a puberdade, a gravidez e a menopausa continua sendo um campo amplamente desconhecido.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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