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Sol Sertão Online
Colunista
O desabastecimento de ciclofosfamida endovenosa, fármaco fundamental para o tratamento de diversas patologias graves, tem forçado a comunidade médica brasileira a adaptar protocolos terapêuticos em tempo real. A falta do medicamento impacta desde quimioterapias clássicas para o câncer de mama até terapias para lúpus, vasculites e transplantes de medula óssea.
A droga pertence ao grupo dos agentes alquilantes e atua danificando o DNA de células que se multiplicam rapidamente. Na oncologia, é peça-chave em tumores pediátricos, hematológicos e no câncer de mama. Já na reumatologia, é considerada indispensável em casos graves de lúpus com comprometimento renal ou neurológico e em vasculites sistêmicas que apresentam risco de falência de órgãos.
Para mitigar a crise, médicos têm recorrido a alternativas, como a substituição da versão intravenosa pela oral, embora essa troca não seja viável para todos os cenários. No tratamento do câncer de mama, as estratégias incluem a inversão da ordem das drogas no esquema terapêutico ou o uso de carboplatina em casos específicos, como nos tumores triplo-negativos.
Em doenças autoimunes, como o lúpus, o micofenolato mofetil surge como opção, enquanto o rituximabe é utilizado em casos de vasculites. No entanto, sociedades médicas alertam que tais substituições não são universalmente equivalentes e podem apresentar riscos de piora clínica ou menor eficácia. O cenário é ainda mais crítico em tumores pediátricos e transplantes de medula, onde não existem substitutos plenamente equivalentes.
A crise reflete uma vulnerabilidade estrutural do mercado farmacêutico: a escassez de medicamentos antigos e fora de patente, que possuem baixo custo e poucos fabricantes globais. A fabricante Baxter informou que a restrição decorre de uma falha técnica em uma fábrica parceira. Embora a produção tenha sido retomada, a capacidade ainda é insuficiente para a demanda global, com previsão de normalização gradual até 2026.
Como medida imediata, o Ministério da Saúde realizou a compra emergencial de 140 mil comprimidos e 80 mil frascos-ampola para distribuição em centros de referência. A pasta também solicitou à Anvisa a priorização de processos de importação excepcional para ampliar a oferta de forma mais célere.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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