
Sol Sertão Online
Colunista
Uma pesquisa recente revela um cenário preocupante sobre a saúde feminina no Brasil: 4 em cada 10 mulheres não possuem informações detalhadas sobre a endometriose. Além da falta de conhecimento, o estudo aponta que 77% das pacientes diagnosticadas já tiveram seus sintomas minimizados ou completamente desconsiderados.
Essa invalidação ocorre predominantemente no ambiente familiar (41%) e em consultas médicas, onde 32% das mulheres relataram que ginecologistas ignoraram a gravidade do quadro. Aproximadamente 46% das entrevistadas ouviram que a dor poderia ser fruto de estresse ou cansaço, enquanto 45% foram classificadas como "exageradas" ou "dramáticas".
A endometriose é caracterizada como uma doença inflamatória crônica que afeta cerca de 10% das pessoas com útero em idade reprodutiva em todo o mundo, totalizando aproximadamente 190 milhões de pessoas. No cenário brasileiro, dados do Ministério da Saúde indicam que a prevalência da condição varia entre 5% e 15% das mulheres.
O ginecologista Rodrigo Mirisola ressalta que, apesar dos avanços nas discussões sobre saúde feminina, ainda existe uma negligência crítica no manejo da dor e do incômodo relatado pelas pacientes.
O acesso ao tratamento evidencia disparidades profundas entre o sistema público e o privado. A indicação de cirurgias por videolaparoscopia, um procedimento mais complexo, foi ofertada a apenas 20% das pacientes do SUS, contrastando com 55% na rede privada.
Quanto às terapias medicamentosas, a indicação de pílulas anticoncepcionais ocorreu em 50% dos casos no SUS e 67% no setor privado. Já o DIU hormonal foi indicado a apenas 15% das mulheres, com acesso significativamente maior para pacientes de renda elevada.
Atualmente, o tempo médio para que se estabeleça o diagnóstico de endometriose varia de 3 a 8 anos. Para o especialista Rodrigo Mirisola, reduzir esse intervalo e ampliar o acesso a diversas terapias são passos fundamentais para a equidade na saúde.
O médico defende a necessidade de promover alternativas eficazes que permitam individualizar a terapia, garantindo que cada mulher receba o cuidado mais adequado e oportuno para sua condição específica.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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