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Sol Sertão Online
Colunista
O governo federal lançou a segunda edição do programa Desenrola Brasil, com o objetivo de aliviar a pressão financeira sobre as famílias brasileiras. A iniciativa visa beneficiar cerca de 20 milhões de pessoas, com a meta de renegociar aproximadamente R$ 58 bilhões em dívidas, abrangendo tanto débitos antigos quanto novos.
A medida surge em um momento crítico para as finanças domésticas. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o endividamento das famílias atingiu 80,9% em abril, o maior nível já registrado na série histórica. Além disso, a inadimplência — dívidas em atraso — permanece elevada, afetando 29,6% dos lares.
O quadro apresenta um paradoxo econômico: enquanto o endividamento cresce, outros indicadores mostram melhora. A taxa de desemprego recuou para 6,1%, o menor patamar do período, e o rendimento médio mensal subiu para R$ 3.722, conforme dados do IBGE.
Especialistas apontam que o aumento da renda não foi suficiente para anular o peso do custo de vida e do crédito caro. Após um período de juros baixos durante a pandemia, o Banco Central elevou a taxa Selic para conter a inflação, chegando a 15% ao ano em junho de 2025.
Essa trajetória de juros altos encareceu os empréstimos e financiamentos, dificultando a reorganização financeira das famílias. Somado a isso, a inflação de alimentos básicos, como a carne (com alta de 21,17% em janeiro de 2025) e o arroz, corroeu o poder de compra.
Atualmente, os gastos com itens essenciais — como habitação, saúde, educação e alimentação — consomem 41,8% do orçamento das famílias. Com a renda comprometida, o uso do cartão de crédito tornou-se a principal ferramenta de sobrevivência, sendo a modalidade de dívida de 84,9% dos consumidores endividados.
Além dos fatores econômicos, a falta de educação financeira é apontada como um agravante. O chamado "viés do presente" leva muitos consumidores a priorizarem a parcela imediata em vez do custo total da dívida, influenciados por estímulos de marketing e facilidades do crédito digital.
Especialistas alertam ainda para o perigo de conteúdos virais em redes sociais que prometem atalhos mágicos para a quitação de débitos via Lei do Superendividamento. A recomendação é que o alívio financeiro seja buscado por meio de renegociações oficiais e de uma mudança estrutural no comportamento de consumo para evitar que o ciclo de endividamento se repita.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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