
Sol Sertão Online
Colunista
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram sua saída abrupta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), encerrando um vínculo que se iniciou em 1967. O movimento é considerado um golpe significativo para o grupo, que por décadas controlou a oferta mundial e influenciou o preço do barril através de cotas de produção.
A decisão dos Emirados Árabes é motivada pelo desejo de utilizar a total capacidade de sua infraestrutura de produção. Até então, o país estava limitado por cotas que restringiam a extração a valores entre 3 milhões e 3,5 milhões de barris por dia. Com a saída, a meta é elevar a produção para aproximadamente 5 milhões de barris diários, buscando maximizar as receitas antes que a demanda global por petróleo atinja seu pico e comece a declinar.
O desligamento ocorre em um momento de alta tensão no Golfo, envolvendo conflitos com o Irã e um desgaste na relação com a Arábia Saudita. Para mitigar riscos, as autoridades dos EAU discutem a construção de novos oleodutos que partam de Abu Dhabi em direção ao porto de Fujairah, evitando a dependência do estreito de Ormuz, que atualmente enfrenta bloqueios marítimos.
A saída dos Emirados Árabes sinaliza a perda de força da Opep, cuja participação no comércio internacional caiu de 85% nos anos 1970 para cerca de 50% atualmente. Esse cenário é impulsionado pela transição energética global, com destaque para a China, onde a eletrificação de transportes já reduziu a demanda de petróleo em cerca de 1 milhão de barris por dia.
Embora o preço do barril esteja atualmente elevado devido à instabilidade regional, analistas não descartam a possibilidade de uma queda acentuada para a casa dos US$ 50 no próximo ano, caso a situação no estreito de Ormuz seja normalizada. Esse recuo teria impacto direto na inflação global e poderia influenciar disputas políticas, especialmente nas eleições legislativas dos Estados Unidos.
A Arábia Saudita, líder da Opep, poderá reagir com uma guerra de preços, o que pressionaria membros mais pobres do grupo, enquanto a economia diversificada dos Emirados Árabes estaria mais preparada para suportar tal volatilidade.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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