
Sol Sertão Online
Colunista
A República Democrática do Congo enfrenta um agravamento alarmante no surto de Ebola, com o registro de pelo menos 26 mortes suspeitas em apenas 24 horas no leste do país. Com esses novos óbitos, o total de mortes associadas à epidemia sobe para 131. Atualmente, as autoridades de saúde contabilizam 516 casos suspeitos e 33 confirmados no território congolês.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou a situação como uma emergência de saúde pública de interesse internacional. A preocupação da organização reside na escala e na velocidade de disseminação do vírus, que conseguiu se espalhar por semanas sem detecção em áreas densamente povoadas e assoladas por violência armada.
O surto é causado pela cepa Bundibugyo, uma variante rara do vírus para a qual não existem vacinas ou terapias específicas aprovadas. A capacidade de resposta é severamente comprometida pela limitação diagnóstica, com a possibilidade de realizar apenas seis testes por hora.
Especialistas apontam que a demora na detecção do surto evidencia lacunas na preparação global, reflexo de cortes em investimentos de saúde vindos de grandes doadores internacionais. O ministro da Saúde de Serra Leoa, Austin Demby, criticou a regressão nas medidas de prevenção pós-pandemia.
A doença já ultrapassou as fronteiras do Congo, com dois casos confirmados em Uganda. Além disso, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) informou que um cidadão americano, o Dr. Peter Stafford, testou positivo para o vírus. Ele e outros seis americanos expostos à doença foram transferidos para a Alemanha para monitoramento e tratamento.
Em resposta, os Estados Unidos suspenderam, por 30 dias, a entrada de viajantes vindos da República Democrática do Congo, Uganda e Sudão do Sul. Na região africana, Uganda e Ruanda implementaram restrições fronteiriças, embora a OMS recomende a manutenção dos canais oficiais para evitar travessias clandestinas e não monitoradas.
Um painel de especialistas da OMS discute a aplicação de vacinas, como a Ervebo, porém a disponibilidade pode levar até dois meses. Simultaneamente, os EUA trabalham no desenvolvimento de uma terapia com anticorpos monoclonais para combater a cepa Bundibugyo.
Apesar das tensões políticas e da saída formal dos Estados Unidos da OMS no início do ano, a organização afirma que continua colaborando com o governo americano no combate ao surto, embora destaque que a redução do financiamento global impactou drasticamente a capacidade de resposta à doença.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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