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Sol Sertão Online
Colunista
Diferente do suporte clínico, a doula do fim de vida oferece apoio emocional e prático para pacientes em processo de finitude e seus familiares. O trabalho envolve escuta ativa, mediação com equipes de saúde, organização de burocracias e a elaboração de rituais de despedida, focando inteiramente na dignidade e nos desejos do paciente.
A profissional não é médica nem administra medicamentos; sua função é preencher a lacuna de acolhimento que as equipes de saúde, muitas vezes sobrecarregadas, não conseguem suprir.
A advogada Letícia Corrêa, que atua na área desde 2022, encontrou na experiência com a mãe a motivação para a profissão. Após enfrentar o diagnóstico de câncer de pâncreas da genitora, Letícia auxiliou a mãe a garantir que seus últimos desejos fossem respeitados, incluindo a morte em casa, nos próprios termos, e a posterior doação do corpo para a pesquisa científica.
Com formação especializada e mestrado na área, Letícia defende que a inclusão dessas profissionais no Sistema Único de Saúde (SUS) é não apenas juridicamente possível, mas eticamente necessária para humanizar o processo de morte no país.
Um dos pilares do acompanhamento é a Diretiva Antecipada de Vontade. Trata-se de um documento onde a pessoa registra suas preferências para quando não puder mais se manifestar, como a aceitação ou não de intubação, músicas que deseja ouvir e quem gostaria que estivesse presente em seus momentos finais.
Quando registrado em cartório e anexado ao prontuário médico, o documento ganha segurança jurídica, assegurando que a vontade do paciente seja a prioridade absoluta do tratamento.
Atualmente, a profissão de doula do fim de vida ainda não é regulamentada no Brasil. No entanto, o Projeto de Lei 1845, apresentado em abril de 2026, visa mudar esse cenário. O texto propõe que hospitais, unidades de pronto-atendimento e instituições de longa permanência para idosos sejam obrigados a permitir a presença da doula quando solicitada pelo paciente ou seus representantes legais, sem custos adicionais.
Para profissionais como Letícia, a lei é fundamental para garantir que a maioria das pessoas, que não possui redes de apoio preparadas, possa atravessar a terminalidade com dignidade e sem arrependimentos.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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