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Sol Sertão Online
Colunista
Uma única dose de psilocibina, substância presente em cogumelos alucinógenos, é capaz de gerar mudanças mensuráveis na estrutura e no funcionamento do cérebro humano por até 30 dias. A descoberta, detalhada em estudo publicado na revista Nature Communications, destaca a melhora significativa no bem-estar e na flexibilidade cognitiva de participantes saudáveis.
A pesquisa, conduzida por especialistas do Imperial College London, acompanhou 28 adultos que nunca haviam utilizado substâncias psicodélicas. Por meio de eletroencefalogramas (EEG) e ressonância magnética funcional, os cientistas monitoraram os efeitos de duas doses orais administradas com um intervalo de um mês.
De acordo com os pesquisadores, a psilocibina não atua apenas como uma droga alucinógena, mas amplia a chamada flexibilidade cognitiva. Esse processo está ligado ao conceito de entropia cerebral, que se refere ao grau de variabilidade da atividade neuronal.
Em estados de rigidez mental, comuns em diversos transtornos psiquiátricos, o funcionamento cerebral tende a ser repetitivo. A substância rompe esse padrão, aumentando a variabilidade cerebral e permitindo que o indivíduo desenvolva novas formas de pensar e sentir.
Um dos achados mais relevantes foi a detecção de alterações nas fibras de substância branca do cérebro, mapeadas por imagem por tensor de difusão (DTI). Um mês após a dose alta, houve uma redução na difusividade axial em tratos que ligam o córtex pré-frontal ao estriado e ao tálamo — áreas fundamentais para a tomada de decisão, controle motor e regulação das emoções.
Esses dados sugerem a ocorrência de neuroplasticidade anatômica, confirmando em humanos o que já havia sido observado em estudos laboratoriais com animais.
A longa duração dos efeitos é um ponto central para a medicina. Segundo Eduard Vieta, professor de Psiquiatria da Universidade de Barcelona, essa característica explica por que a substância pode ter efeitos antidepressivos de longo prazo sem a necessidade de uso diário, diferentemente dos medicamentos convencionais.
Os resultados psicológicos foram consistentes: os participantes apresentaram melhora na capacidade de identificar mudanças de regras (flexibilidade cognitiva) e um aumento nos níveis de bem-estar psicológico, medidos por escalas validadas, semanas após a aplicação.
Apesar dos avanços, a Dra. Elisabet Domínguez Clavé, presidente da Sociedade Espanhola de Medicina Psicodélica, ressalta que os resultados devem ser interpretados com cautela. Embora o estudo seja sólido e some evidências importantes à neurociência, ele representa um passo inicial.
O objetivo final dos pesquisadores agora é converter esse conhecimento em aplicações clínicas seguras, eficazes e rigorosamente regulamentadas para o tratamento de doenças mentais.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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