
Sol Sertão Online
Colunista
O setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 80,7 bilhões em março, conforme dados divulgados pelo Banco Central (BC). O resultado aponta para uma forte piora em comparação a março do ano anterior, quando havia sido registrado um superávit de R$ 3,6 bilhões.
De acordo com a Secretaria do Tesouro Nacional, o desempenho negativo foi impulsionado, principalmente, pela antecipação no pagamento de precatórios (sentenças judiciais) neste ano.
No acumulado dos três primeiros meses do ano, as contas do governo apresentaram um superávit primário de R$ 6,62 bilhões, o equivalente a 0,21% do Produto Interno Bruto (PIB). O número é significativamente menor do que os R$ 88,7 bilhões (2,93% do PIB) registrados no mesmo período do ano passado.
Especificamente no governo federal, o saldo foi negativo em R$ 17,04 bilhões na parcial deste ano, contra um superávit de R$ 52,32 bilhões no primeiro trimestre de 2025. Para o ano corrente, a meta estabelecida é de um saldo negativo de 0,25% do PIB, aproximadamente R$ 34,3 bilhões.
Quando contabilizados os juros da dívida pública — resultado nominal —, o déficit do setor público em março foi de R$ 199,5 bilhões. No acumulado de 12 meses até março, o resultado negativo atingiu R$ 1,21 trilhão, ou 9,4% do PIB.
O cenário é influenciado pela taxa Selic, atualmente em 14,5% ao ano, que encarece o custo da dívida. Somente as despesas com juros nominais somaram R$ 1,08 trilhão (8,35% do PIB) nos últimos doze meses.
A dívida do setor público consolidado subiu para 80,1% do PIB (R$ 10,35 trilhões), o nível mais alto desde julho de 2021. Se adotado o critério do Fundo Monetário Internacional (FMI), utilizado para comparações globais, o endividamento brasileiro chega a 92% do PIB, patamar superior ao de outras nações emergentes e da média da Zona do Euro.
Analistas e especialistas alertam que o atual arcabouço fiscal pode se tornar insustentável sem cortes robustos de gastos. Projeções do mercado indicam que a dívida pública brasileira poderá atingir 98,9% do PIB em 2035 pelo conceito nacional, podendo ultrapassar a marca de 100% sob a metodologia do FMI.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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