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Sol Sertão Online
Colunista
Os erros inatos da imunidade são condições genéticas raras que comprometem o sistema imunológico, podendo resultar em imunodeficiências, doenças autoimunes, inflamações crônicas e um risco elevado de câncer e infecções graves. Embora complexas, a compreensão dessas patologias avançou significativamente com a evolução da ciência genética.
Estudos recentes, impulsionados por novas técnicas de sequenciamento de DNA, indicam que a prevalência dessas doenças é maior do que se imaginava. Enquanto estimativas anteriores apontavam para um caso a cada 10 mil pessoas na América Latina, dados globais atuais sugerem que a incidência pode variar entre um em mil e um em cinco mil indivíduos.
Atualmente, mais de 500 genes já foram identificados como causadores desses erros imunitários. A complexidade é tamanha que a mesma alteração genética pode se manifestar de formas distintas entre pacientes — fenômeno conhecido como penetrância genética — tornando o diagnóstico um desafio clínico constante.
A chegada do sequenciamento de nova geração (NGS) revolucionou a área, permitindo a análise rápida e detalhada de grandes porções do DNA, superando as limitações dos métodos tradicionais, como o sequenciamento de Sanger.
Apesar do salto tecnológico, o Brasil enfrenta barreiras severas na democratização desses exames. A maior parte dos centros de referência concentra-se nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, evidenciando a desigualdade na distribuição de infraestrutura de saúde no país.
Como a maioria dos testes genéticos não é reembolsada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), estima-se que 75% da população brasileira, que depende exclusivamente da rede pública, tenha acesso limitado a diagnósticos abrangentes e tratamentos personalizados.
A demora no diagnóstico molecular não é apenas uma questão burocrática, mas um risco vital. Intervenções salvadoras, como o transplante de células-tronco hematopoéticas, dependem da detecção precoce para serem eficazes. Em casos graves, como a imunodeficiência combinada grave, o transplante realizado nos primeiros meses de vida aumenta drasticamente as taxas de sobrevida.
Para combater esse cenário, iniciativas como a Rede Nacional de Genômica para Erros Inatos da Imunidade (RENOMIEII), que integra 20 instituições, buscam aprimorar o tratamento e o acompanhamento de pacientes através de abordagens ômicas.
Um avanço significativo foi anunciado recentemente pelo Ministério da Saúde: a implementação do sequenciamento do exoma no SUS. Os exames serão realizados no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (Fiocruz) e no Instituto Nacional de Cardiologia, transformando a pesquisa científica em benefício direto à população.
Para consolidar esses avanços, o Brasil investe em bancos de dados genômicos próprios, como o ABraOM e o projeto DNA do Brasil. Essas iniciativas são essenciais para que a medicina de precisão considere a diversidade da população brasileira, reduzindo as incertezas diagnósticas e promovendo a equidade no acesso à saúde.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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