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Sol Sertão Online
Colunista
Dados recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam um cenário preocupante no mercado de trabalho baiano: a desigualdade salarial entre mulheres e homens, bem como entre negros e brancos, apresentou crescimento em 2025.
De acordo com as estatísticas, as trabalhadoras baianas registraram rendimento médio de R$ 2.084, enquanto os homens ganharam, em média, R$ 2.426. Essa diferença de -14,1% é alarmante quando comparada a 2022, ano em que a defasagem era de -7,8% — o menor índice registrado nos últimos 14 anos da série histórica da pesquisa.
A desigualdade racial também se aprofundou. Trabalhadores pretos receberam, em média, R$ 1.887, o que representa -41,3% do rendimento dos trabalhadores brancos, que faturaram em média R$ 3.217. Em 2024, essa diferença era de -39,4%.
Para os trabalhadores pardos, o rendimento médio em 2025 foi de R$ 2.157, equivalendo a -32,9% em relação aos brancos, superando a disparidade de -30,8% registrada no ano anterior.
Curiosamente, enquanto as disparidades de gênero e raça cresceram, houve uma redução na desigualdade do rendimento domiciliar geral na Bahia entre 2024 e 2025. O índice recuou de 0,492 para 0,480, fazendo com que o estado passasse da 12ª para a 14ª posição no ranking nacional.
Esse cenário ocorre em um estado onde as mulheres representam 51,7% da população e a proporção de pretos e pardos é a maior do Brasil, atingindo 80,8%.
O professor de Direito do Trabalho da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e advogado João Gabriel Lopes analisa que os números são um reflexo de estruturas históricas de desigualdade reproduzidas pelas instituições de mercado, que criam barreiras ao acesso a cargos de liderança e salários mais altos.
Lopes ressalta que a discussão sobre questões raciais e de gênero é insuficiente sem a implementação de ações práticas. "As mulheres seguem acumulando maior responsabilidade pelo cuidado doméstico e familiar, enquanto a população negra é imposta a uma maior presença na informalidade e em ocupações precarizadas", pontuou o especialista.
Para o professor, a queda na desigualdade geral, concomitante ao aumento das disparidades internas, indica que a melhora na renda média não está sendo distribuída de forma equitativa entre os diferentes grupos sociais.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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