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Sol Sertão Online
Colunista
Trabalhadores de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador, estão impedidos de exercer suas atividades profissionais devido a uma grave contaminação química que atingiu a faixa de areia e as águas do mar. O problema, identificado em fevereiro por meio de manchas amarelas e azuis e a morte de diversos animais marinhos, impacta diretamente a sobrevivência de centenas de famílias.
Cerca de 1.200 profissionais, entre pescadores e marisqueiras, além de ambulantes e donos de barracas, sofrem com a queda drástica na renda. O medo da população em relação à qualidade dos produtos do mar dificultou a comercialização do pescado na tradicional Feira de Paripe, enquanto o turismo na região despencou, deixando permissionários e comerciantes em situação crítica.
Um laudo preliminar do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) confirmou a presença de Cobre (Cu) e Nitrato (NO₃) na região. De acordo com o órgão, a contaminação estaria ligada a falhas na estocagem e movimentação de granéis sólidos no Terminal Itapuã.
As atividades no terminal foram interditadas em março. No entanto, há um impasse jurídico sobre a responsabilidade do dano: a atual gestora, Intermarítima, atribui a contaminação à antiga operadora, a Gerdau. Esta, por sua vez, nega a responsabilidade, alegando que a venda do terminal ocorreu em 2022 e que as análises técnicas não comprovam o nexo causal com suas operações.
Lideranças comunitárias denunciam o abandono por parte dos governos estadual e federal. A única ação direta registrada foi a distribuição de cestas básicas pela Prefeitura de Salvador em abril. Moradores cobram a divulgação de um laudo técnico definitivo do Inema para que as medidas de reparação sejam implementadas.
A situação é acompanhada pelo Ministério Público, além de inquéritos abertos pelas Polícias Civil e Federal. Enquanto isso, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) alerta que as substâncias encontradas podem causar problemas dermatológicos e gastrointestinais. Equipes de vigilância monitoram casos suspeitos de intoxicação na localidade.
Para tentar sobreviver, a comunidade tem organizado eventos locais em largos do bairro, buscando alternativas de renda para os comerciantes enquanto aguardam a despoluição da praia e a regularização de suas atividades econômicas.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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