
Sol Sertão Online
Colunista
Termos como marmitório, mi-mi-mi, parditude, enredista e policrise estão passando por um rigoroso processo de análise para conquistar uma vaga fixa no Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa (Volp). A decisão final cabe aos lexicógrafos da Academia Brasileira de Letras (ABL), que determinam se as palavras possuem a estabilidade necessária para serem integradas oficialmente ao idioma.
O Volp é o documento que estabelece a grafia correta da norma padrão do português brasileiro e possui força de lei. Diferente de dicionários descritivos, como o Houaiss ou o Aurélio, que registram gírias e o uso cotidiano, o Volp privilegia a forma culta. O documento não define significados, mas sim a escrita correta, a flexão e a classe gramatical de cada termo.
Para ser incorporada, uma palavra não pode ser apenas uma "modinha do momento"; é fundamental que haja continuidade e estabilidade no uso. Um exemplo de termo que não entrou no Volp por ter caído em desuso após um pico de popularidade foi a palavra "Inshalá", comum no início dos anos 2000.
Para monitorar essa dinâmica, a ABL mantém o Observatório Lexical, que funciona como uma sala de espera. Ali, termos sugeridos por profissionais ou leitores são submetidos a pesquisas textuais intensas, tanto em bibliotecas digitais quanto na internet, para verificar se a expressão realmente se firmou na língua.
Em 2025, termos como pejotização (contratação de trabalhadores como pessoa jurídica) e terrir (mistura de terror e humor) foram aprovados e integrados ao vocabulário. Outro exemplo de rápida ascensão foi o termo Covid-19, que entrou no registro oficial devido ao uso massivo durante a pandemia global.
A Academia Brasileira de Letras ressalta que o Volp não atua como um censor ou criador de palavras, mas como um registrador. A criação do léxico pertence ao falante; a instituição apenas formaliza o que já foi consolidado organicamente na comunicação da sociedade.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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