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Sol Sertão Online
Colunista
A escalada de tensões no Oriente Médio, com reflexos diretos nos preços dos fertilizantes, não deve impactar imediatamente o bolso do consumidor brasileiro em relação aos alimentos. Isso se deve, em grande parte, ao calendário agrícola: as principais colheitas de grãos, como arroz, soja e as primeiras safras de feijão e milho, já foram finalizadas ou estão em estágio avançado.
Apesar do alívio momentâneo para o consumidor, os produtores agrícolas brasileiros já demonstram preocupação. O Brasil, altamente dependente de insumos externos – importando cerca de 85% dos fertilizantes utilizados –, observa atentamente as próximas janelas de importação, previstas para a virada do semestre. A incerteza quanto à duração do conflito e seus efeitos na oferta global de ureia, potássio e fosfatos gera apreensão.
O país importa expressivas parcelas de seus insumos: aproximadamente 90% do nitrogênio, 96% do potássio e 80% do fosfatado são de origem estrangeira. O Oriente Médio, um ator crucial no mercado global, respondendo por parcelas significativas das exportações mundiais de ureia e amônia, tem sua instabilidade refletida diretamente nos preços internacionais.
A disparada nos preços dos fertilizantes eleva os custos de produção de forma generalizada. Culturas que demandam intensamente os nutrientes NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) tendem a ser as mais afetadas. O milho, por exemplo, é altamente dependente de fertilizantes nitrogenados, como a ureia, cujos preços já registraram aumentos expressivos em poucas semanas. Arroz e trigo também exigem grandes volumes de nitrogênio, podendo levar produtores a considerar a redução da área plantada.
Na cultura da soja, embora a necessidade de nitrogênio seja menor, o plantio requer aplicação em larga escala de fósforo e potássio. Já a cana-de-açúcar, intensiva no uso de potássio, também enfrenta um cenário de elevação de custos, com potencial impacto na produtividade da indústria de açúcar e etanol.
Especialistas ressaltam que o aumento no custo dos fertilizantes não se traduz automaticamente em alimentos mais caros. O impacto na inflação de alimentos ocorre em um horizonte de médio prazo, por meio da redução da área plantada e da queda de produtividade. No entanto, a dinâmica do mercado é complexa, e outros fatores podem influenciar os preços.
O clima, por exemplo, desempenha um papel fundamental. Uma safra favorável, mesmo em um cenário de custos elevados, pode mitigar a pressão inflacionária nos alimentos, como observado em 2023, quando o Brasil colheu uma safra recorde apesar dos preços de fertilizantes e combustíveis em alta.
Atualmente, o preço dos combustíveis desponta como um fator mais decisivo na formação de preços, impactando tanto o uso de maquinário agrícola quanto a logística de transporte e distribuição em todo o país. A imprevisibilidade do cenário global, somada às particularidades do mercado interno, torna difícil cravar uma tendência clara para os preços dos alimentos no curto prazo.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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