
Sol Sertão Online
Colunista
O mundo encerrou o ano de 2025 com um estoque de 2,5 bilhões de barris de petróleo em reservas estratégicas, segundo dados da Administração de Informação Energética (EIA) dos Estados Unidos. No entanto, esse volume, destinado a garantir a segurança energética em situações emergenciais, é limitado: a cifra equivale a apenas 39 dias e 12 horas de consumo para as dez nações que mais utilizam o combustível globalmente.
A fragilidade do sistema tornou-se evidente com o prolongamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O fechamento do Estreito de Ormuz, ponto crucial para o transporte de petróleo, elevou o temor de um choque drástico na oferta, que pode evoluir para uma escassez concreta de combustíveis.
A distribuição dessas reservas é desigual, deixando nações dependentes de importações em situação crítica. As Filipinas, por exemplo, já alertaram para a limitação de seus estoques, visto que o país importa quase a totalidade do petróleo consumido de nações do Golfo Pérsico.
Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), alertou que os estoques comerciais estão se esgotando rapidamente, restando apenas algumas semanas de reservas. Embora a liberação de estoques estratégicos tenha injetado 2,5 milhões de barris diários no mercado, Birol ressaltou que esses recursos "não são infinitos".
A S&P Global Ratings reforçou a alta imprevisibilidade do cenário, destacando que as exportações iranianas — estimadas entre 1,5 milhão e 2 milhões de barris por dia — estão sob risco imediato. De acordo com a agência, o mercado perdeu um total acumulado de 1,1 bilhão de barris desde março.
Analistas da StoneX apontam que o déficit global de consumo de petróleo permanece entre 6 milhões e 7 milhões de barris por dia. A política de liberação de estoques estratégicos não tem sido suficiente para compensar a redução da oferta proveniente do Golfo Pérsico.
Apesar de uma proposta de paz enviada pelo Irã aos Estados Unidos via Paquistão, o mercado permanece cético. Especialistas indicam que, sem um acordo definitivo, a tendência é de continuidade na alta dos preços devido ao estresse no balanço global de oferta e demanda.
O CEO da ExxonMobil, Darren Woods, alertou que os impactos tendem a se intensificar enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado, lembrando que a retomada das operações será gradual e apresentará um atraso na normalização.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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