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Início/Entreterimento
'Cor de Defunto': Estreia de Cami di Malta mergulha nos traumas familiares e no luto
Entreterimento
Legenda: Cami di Malta Foto: LC Moreira

'Cor de Defunto': Estreia de Cami di Malta mergulha nos traumas familiares e no luto

SS

Sol Sertão Online

Colunista

2 de maio de 2026
5 min de leitura

A literatura contemporânea tem dado protagonismo a narrativas que exploram as tensões entre a imposição de modelos patriarcais e a solidão feminina. Autoras modernas vêm escrutinando temas como a violência psicológica nos casamentos e o desejo da maternidade, revelando o caráter traumático das heranças familiares.

A trama de 'Cor de Defunto'

Nesse contexto insere-se 'Cor de Defunto', romance de estreia da escritora fortalezense Cami di Malta. A obra apresenta a trajetória de Lilá, cuja infância foi marcada pela precariedade material, pelo medo constante de um pai violento e por um luto prolongado após a morte da mãe.

A narrativa intercala memórias da infância com o presente, momento em que a protagonista trabalha em uma agência funerária, atuando primeiro como vendedora de caixões e, posteriormente, no setor de embalsamamento. Para Lilá, o luto deixa de ser um processo de superação para se tornar um refúgio, um estado de limbo que a mantém conectada à figura materna.

Estilo e abordagem narrativa

A prosa de Cami di Malta é caracterizada pela contenção, evitando o sentimentalismo excessivo ou discursos vitimistas. A autora utiliza uma linguagem ágil e inventiva, pincelada por um humor mórbido que reflete a atmosfera da história.

A estrutura elíptica e fragmentária do texto traduz a sensação de incompletude gerada pela perda, reforçando a premissa de que a família pode ser, simultaneamente, fonte de afeto e de trauma.

Análise crítica

Embora a construção da voz da narradora seja um ponto forte, a obra apresenta algumas oscilações de ritmo ao tentar abordar a complexidade da triangulação entre família, memória e luto.

O desfecho da narrativa, desencadeado por uma visita a uma cartomante, é apontado como um ponto controverso. A semelhança com a obra 'A Hora da Estrela', de Clarice Lispector, acaba funcionando, para alguns críticos, como um anti-clímax dentro da economia interna da história.


Referência: Informações adaptadas de UOL.

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