
Sol Sertão Online
Colunista
No coração da Emília-Romanha, ao norte da Itália, vastos armazéns climatizados guardam um dos ativos mais valiosos do país. Prateleiras imponentes abrigam centenas de milhares de rodas de Parmigiano Reggiano, que amadurecem silenciosamente, valorizando-se a cada mês. Para os produtores, esses locais são mais do que depósitos; são a base de sua sobrevivência econômica.
O Parmigiano Reggiano é um dos alimentos mais rigorosamente regulamentados do mundo. Sua produção é restrita a áreas específicas, utilizando apenas leite, sal e coalho, com um tempo mínimo de maturação de 12 meses — podendo chegar a 40 meses. Essa espera prolongada gera um gargalo financeiro crítico, pois os custos com mão de obra, energia e ração são imediatos, enquanto a receita só chega após um ano ou mais.
Para sanar essa lacuna, o Credem Bank atua há mais de um século aceitando as rodas de queijo como garantia para financiamentos. Segundo Giancarlo Ravanetti, diretor da divisão de armazenamento do banco, a instituição armazena cerca de 500 mil rodas, movimentando anualmente 2,3 milhões de unidades. O valor depositado nesses cofres é impressionante: aproximadamente 325 milhões de euros.
O processo de entrada no armazém é rigoroso. Cada peça é escaneada e recebe um registro digital — um verdadeiro passaporte que detalha a origem e a data de produção. A temperatura, a umidade e a circulação de ar são controladas milimetricamente, com vistorias diárias para evitar rachaduras ou problemas de umidade.
Após o período de 12 meses, o Consórcio do Parmigiano Reggiano realiza o tradicional teste de percussão. Especialistas batem em cada forma com um martelo para detectar defeitos internos através do som. Apenas as peças com som limpo e uniforme recebem o selo oficial marcado a ferro quente.
O ecossistema é supervisionado pelo Consórcio, que reúne cerca de 300 produtores e 2.000 criadores de gado, representando aproximadamente 50 mil pessoas e um faturamento superior a 4 bilhões de euros. Fabrizio Raimondi, porta-voz do Consórcio, enfatiza que a certificação rigorosa é o que garante a autenticidade e a qualidade global da marca.
Em 2025, o setor atingiu um marco histórico: as exportações ultrapassaram, pela primeira vez, metade das vendas totais, representando 50,5% do mercado global. Enquanto a demanda cresceu em países como Reino Unido (+7,8%) e Canadá (+8,3%), o mercado interno italiano sofreu uma contração de 10%, reflexo da alta dos preços ao consumidor.
Os Estados Unidos permanecem como o maior mercado externo, porém enfrentam instabilidade. No final de 2025, a carga tarifária subiu para 25%, gerando incertezas regulatórias que levaram importadores americanos a suspender compras no início de 2026.
Para modernizar a cadeia, a tecnologia blockchain passou a ser utilizada, permitindo que as formas sejam dadas em garantia mesmo quando armazenadas nas próprias instalações dos produtores. Além disso, o Consórcio investe em turismo, com a meta de elevar o número de visitantes de 85 mil para 300 mil até 2029.
Apesar dos desafios impostos pela inflação e pelo aumento nos custos de logística e energia, o Parmigiano Reggiano consolida-se como um "superalimento" natural, rico em proteínas e isento de lactose, mantendo seu equilíbrio entre a tradição artesanal e a inovação financeira.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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