
Sol Sertão Online
Colunista
Uma experiência marcante em Hong Kong ilustra a complexa relação entre sonhos e saúde. Uma jovem, identificada como Adeline, relatou ter sonhado com a mãe falecida, que a incentivava a realizar exames médicos imediatos. Ao seguir a recomendação, Adeline descobriu um câncer em estágio inicial, o que permitiu um tratamento precoce e eficaz, salvando sua vida.
Embora a humanidade interprete sonhos desde as civilizações do Antigo Egito e Babilônia, a ciência moderna busca explicações biológicas para esses fenômenos. Segundo o neurocientista Abidemi Otaiku, do Imperial College de Londres, sonhamos predominantemente durante o sono REM. Nesse estágio, enquanto os lobos frontais, responsáveis pelo raciocínio, diminuem a atividade, o sistema límbico, ligado às emoções, torna-se hiperativo, o que explica a natureza surreal e, por vezes, desconexa dos sonhos.
O psicólogo e pesquisador Dylan Selterman destaca que sonhar com situações difíceis pode ser uma ferramenta do cérebro para processar traumas. Estudos indicam que ex-fumantes que sonham com o cigarro apresentam menores taxas de recaída, e pessoas divorciadas que sonham com ex-parceiros tendem a ter uma melhor saúde mental a longo prazo.
Além disso, pesquisas da Universidade de Harvard revelam que os sonhos podem auxiliar na resolução de problemas complexos. A combinação de tempo de processamento e a liberdade criativa do estado de sono permite que o cérebro encontre soluções que passariam despercebidas durante a vigília.
A sensação de que um sonho previu o futuro pode ter uma base fisiológica chamada interocepção. Trata-se da capacidade do cérebro de captar o estado interno do organismo. Quando essa percepção se manifesta durante o sono, pode gerar a impressão de uma premonição, alertando o indivíduo sobre alterações físicas ou doenças antes mesmo de surgirem sintomas claros.
A neurociência também aponta que a frequência de pesadelos pode estar correlacionada a riscos de doenças neurodegenerativas, como Parkinson e demência. Otaiku sugere que, embora não seja motivo para pânico, a atenção à qualidade do sono e a redução do estresse são fundamentais para a preservação da saúde cognitiva.
Para casos de pesadelos recorrentes e graves, existem abordagens terapêuticas, como a terapia de ensaio de imagens, e opções medicamentosas que podem bloquear pesadelos sem interferir nos sonhos normais.
Especialistas alertam contra a busca por significados universais e simbólicos. A interpretação de um sonho depende inteiramente do contexto individual; um mesmo elemento pode ter significados opostos para pessoas diferentes. O caminho mais eficaz para compreender as mensagens do subconsciente, segundo Selterman, é observar padrões recorrentes ligados à vida social, aos afetos e aos sentimentos profundos.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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