
Sol Sertão Online
Colunista
A sobrecarga de informações e a rotina acelerada do mundo moderno tornaram a ansiedade e o estresse companheiros constantes de milhões de pessoas. Diante desse cenário, o resgate de hábitos ancestrais, como o consumo de chás calmantes antes de dormir, tem ganhado força e encontra respaldo na bioquímica e na medicina moderna.
De acordo com a médica Inácia Simões, especialista em Anestesiologia e Dor, a eficácia de certas infusões não é fruto de efeito placebo, mas de reações químicas reais no cérebro. A maioria dessas ervas atua na modulação do sistema GABAérgico, que é o mesmo alvo de diversos medicamentos ansiolíticos convencionais.
A principal vantagem do uso de fitoterápicos, segundo a especialista, é a possibilidade de alcançar o relaxamento com menor risco de dependência e menos impactos negativos nas funções cognitivas em comparação aos fármacos sintéticos.
Com base na literatura médica, cinco opções se destacam por suas propriedades ansiolíticas e sedativas: camomila, valeriana, maracujá (passiflora), lavanda e erva-cidreira (melissa).
Além da ação no sistema GABAérgico, a atuação dessas plantas no organismo é complexa, envolvendo a regulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, a modulação de vias serotoninérgicas e importantes efeitos anti-inflamatórios.
Embora sejam naturais, a médica alerta que esses chás não são isentos de riscos. A valeriana, por exemplo, pode provocar cefaleia, problemas gastrointestinais e, em casos raros, hepatotoxicidade. Já o maracujá, em doses elevadas, pode causar sedação excessiva, depressão do sistema nervoso central e ataxia (perda de coordenação).
No caso da lavanda, a atenção deve ser redobrada em relação a interações medicamentosas, pois a planta pode potencializar o efeito de outros sedativos ou narcóticos.
Apesar dos resultados promissores, a Dra. Inácia ressalta que a medicina ainda necessita de ensaios clínicos com grupos maiores e metodologias mais rígidas para estabelecer recomendações padronizadas. A eficácia do tratamento pode variar drasticamente conforme a dose, o perfil do paciente e a forma correta de preparo da infusão.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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