%2Fi.s3.glbimg.com%2Fv1%2FAUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a%2Finternal_photos%2Fbs%2F2022%2Fe%2FJ%2F033cYTQoeD1yXKi7GqKw%2Fnelore-parana.jpg&w=3840&q=75)
Sol Sertão Online
Colunista
Em um movimento que desafia a percepção de que o mercado chinês prioriza apenas o preço, a Associação da Indústria de Carnes de Tianjin, que representa cerca de 40% das compras de carne bovina do Brasil pela China, comprometeu-se a adquirir 50 mil toneladas de proteína certificada e livre de desmatamento até o final deste ano.
A iniciativa, liderada por Xing Yanling, indica que a China — a maior importadora mundial de carne bovina e soja — começa a valorizar cadeias de suprimentos mais sustentáveis. O volume acordado representa aproximadamente 4,5% do total de exportações brasileiras de carne bovina para o país asiático previstas para este ano.
Para garantir a procedência do produto, será utilizado o selo “Beef on Track”, desenvolvido pela ONG brasileira Imaflora. A certificação estabelece níveis de conformidade baseados na rastreabilidade da carne e na regularidade legal das fazendas fornecedoras.
Os importadores de Tianjin demonstraram disposição para pagar um valor até 10% superior por cortes provenientes de frigoríficos que comprovem a ausência de qualquer ligação com o desmatamento (legal ou ilegal) e a inexistência de trabalho escravo. Segundo Xing Yanling, há uma parcela crescente de consumidores chineses com maior renda que prioriza critérios ambientais e segurança alimentar em detrimento do preço.
Apesar do otimismo, a implementação enfrenta obstáculos significativos. Especialistas alertam que o sistema de rastreabilidade brasileiro ainda é frágil, sendo vulnerável à prática da “lavagem de gado”, onde documentos de transporte são fraudados para esconder a origem irregular da proteína.
Além disso, o cenário comercial é tensionado por cotas de importação. A China impôs um limite de 1,1 milhão de toneladas para proteger sua indústria nacional. Caso esse teto seja ultrapassado, as importações excedentes estarão sujeitas a um imposto de 55%, o que pode atrasar a chegada dos primeiros contêineres certificados.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) demonstrou cautela e certa insatisfação com a iniciativa. A entidade argumenta que a criação de novos selos, sem o devido alinhamento com sistemas já existentes e sem a infraestrutura pública necessária, pode acabar criando novas barreiras não tarifárias para a produção nacional.
Por outro lado, o Imaflora defende que a certificação não deve ser vista como um obstáculo, mas como uma oportunidade de valorizar o esforço de produtores que já cumprem as leis ambientais, transformando a sustentabilidade em um diferencial competitivo no mercado global.
Referência: Informações adaptadas de G1.
Carregando autenticação...
Carregando comentários...