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Sol Sertão Online
Colunista
Em uma iniciativa incomum e emocionante, Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, decidiu organizar a celebração de sua própria partida. No dia 30 de maio, no espaço da Cervejaria Canárias, em Campo Grande (MS), ele realizará o que define como seu próprio velório, embora ainda esteja vivo. O evento, longe de ser fúnebre, será uma festa repleta de música, com bossa-nova, samba e rock and roll, além de contar com um flash mob e a pintura de um quadro em tempo real.
A trajetória de Tiago tomou um rumo inesperado no Réveillon de 2023 para 2024, quando começou a apresentar dificuldades alimentares. Após meses de exames, foi diagnosticado em março de 2024 com um adenocarcinoma gástrico. A esperança de uma cura cirúrgica foi interrompida em maio, quando médicos descobriram metástases no intestino, no peritônio e nos pulmões, tornando a gastrectomia inviável.
A doença trouxe desafios físicos severos. Tiago enfrentou a perda drástica de peso e desenvolveu neuropatia periférica induzida pela quimioterapia, condição conhecida como "pé caído", que comprometeu sua mobilidade e o levou a utilizar uma bengala.
A ideia de organizar a própria celebração surgiu após o falecimento de seu pai, em agosto de 2024. Ao observar a reunião de amigos e as histórias compartilhadas no funeral do progenitor, Tiago sentiu a falta do homenageado naquelas conversas e decidiu que, em sua despedida, ele mesmo gostaria de estar presente para ouvir e participar.
A organização do evento envolve antigos sócios e amigos, e o convite foi aberto inclusive a conhecidos distantes através das redes sociais. Paralelamente à festa, Tiago já resolveu questões práticas, como a destinação de bens e a entrega de senhas bancárias e digitais para pessoas de confiança.
Atualmente, Tiago segue com quimioterapia paliativa e imunoterapia, focadas em retardar o avanço da doença e garantir qualidade de vida. Apesar das limitações, ele mantém o espírito ativo: aprendeu a tocar guitarra, joga sinuca e, recentemente, realizou saltos de paraquedas e rapel em Bonito (MS).
Sobre a morte, Tiago afirma não ter medo do fim, mas sim do processo de morrer — a dor e a dependência hospitalar. Seu último grande desejo é aprender a surfar e registrar esse momento em uma foto, que, segundo ele, será a imagem exposta em seu velório real.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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