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Sol Sertão Online
Colunista
A perigosa tendência masculinista conhecida como “Caso ela diga não” tornou-se pauta central na imprensa francesa nesta semana. Através de reportagens em jornais, rádios e televisões, a Europa observa com preocupação a disseminação de conteúdos que incentivam a violência contra a mulher no Brasil e a aparente impunidade de seus criadores.
Um dos casos que mais impactou a mídia internacional foi a tentativa de feminicídio contra Alana Anisio Rosa, de 20 anos, ocorrida em fevereiro, em São Gonçalo (RJ). A jovem foi brutalmente espancada e esfaqueada após recusar as investidas de um homem. O agressor, Luiz Felipe Sampaio, de 22 anos, foi preso em flagrante.
De acordo com a mãe da vítima, Jaderluce Anisio de Oliveira, o criminoso consumia vídeos no TikTok onde homens atacavam manequins e bonecos de treino sob o slogan “treinando caso ela diga não”, utilizando a plataforma como base para a premeditação do crime.
A repercussão francesa também destacou outros episódios recentes de violência extrema no Brasil. Em janeiro, um dos envolvidos em um estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos no Rio de Janeiro entregou-se à polícia vestindo uma camiseta com a frase “Regret Nothing” (não se arrepender de nada), termo comum entre influenciadores masculinistas.
Outro caso emblemático foi o assassinato da policial Gisele Alves Santana, de 32 anos. O principal suspeito, seu marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, utilizava termos como “macho alfa” para se descrever e exigia que a esposa fosse uma “fêmea beta, obediente e submissa”, evidenciando a aplicação de ideologias misóginas no ambiente doméstico.
Dados alarmantes reforçam a gravidade do cenário: apenas no ano passado, o Brasil registrou 1.586 feminicídios. Especialistas e jornalistas alertam que a viralização de conteúdos que normalizam a agressão em casos de rejeição contribui diretamente para o aumento desses índices.
Diante disso, cresce o debate sobre o PL da Misoginia, projeto que tramita na Câmara dos Deputados e visa equiparar a misoginia ao crime de racismo, prevendo penas mais severas para crimes de ódio contra mulheres. A proposta, no entanto, enfrenta resistência de setores conservadores.
Paralelamente, surgem mobilizações digitais que combatem a trend. Internautas têm publicado conteúdos enfatizando que o respeito é a única resposta aceitável diante de uma negativa. Além disso, há cobranças urgentes para que as autoridades identifiquem e penalizem os autores de vídeos que estimulam a violência, argumentando que tais publicações servem como prova clara de premeditação criminosa.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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