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Sol Sertão Online
Colunista
O modelo tradicional de prevenção ao uso de substâncias nas escolas, resumido na frase "apenas diga não", está sendo substituído por uma abordagem mais complexa e humana no Canadá. Um novo padrão nacional, desenvolvido por especialistas e com a participação ativa de jovens, busca transformar a maneira como as instituições de ensino lidam com o consumo de drogas e cigarros eletrônicos.
Dados recentes revelam que 15% dos estudantes do 7º ao 12º ano utilizaram cigarros eletrônicos (vapes) no último mês, enquanto 18% relataram o consumo de múltiplas substâncias simultaneamente. Diante desse cenário, muitas escolas ainda aplicam políticas de "tolerância zero", que resultam em suspensões e expulsões.
No entanto, pesquisas indicam que essas medidas punitivas são contraproducentes, pois rompem os vínculos de apoio entre o aluno e a instituição, podendo, inclusive, elevar as taxas de uso de substâncias a longo prazo.
O novo padrão canadense propõe que a intervenção seja adaptada ao estágio de desenvolvimento do aluno. A premissa central é que as necessidades de uma criança de 10 anos são fundamentalmente diferentes das de um adolescente de 17.
A estratégia divide-se em níveis de apoio: crianças menores focam no fortalecimento de competências socioemocionais; adolescentes em fase inicial respondem melhor a estratégias de normas sociais; e os estudantes mais velhos demandam abordagens voltadas à influência social e às transições da vida.
Diferente dos modelos antigos, que definiam o sucesso apenas pela abstinência, a nova diretriz prioriza o bem-estar do estudante, seu vínculo com a escola e a capacidade de buscar ajuda. A proposta defende a substituição de punições por práticas restaurativas e planos de apoio focados na saúde e na permanência do jovem no ambiente escolar.
Para garantir a implementação, o projeto prevê a utilização de ferramentas de autoavaliação para as escolas, permitindo a identificação de lacunas nas práticas atuais. Especialistas alertam, porém, que a mudança exige novos investimentos, incluindo formação profissional contínua e parcerias mais estreitas entre os sistemas de educação e saúde para evitar a sobrecarga dos educadores.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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