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Sol Sertão Online
Colunista
Um estudo realizado pela Escola de Medicina Yong Loo Lin, da Universidade Nacional de Singapura (NUS Medicine), revelou que a cafeína pode auxiliar na restauração da memória prejudicada pela privação de sono. De acordo com a pesquisa, a substância atua de forma direcionada, recuperando seletivamente o circuito cerebral afetado sem causar hiperestimulação em outras áreas do cérebro.
Os pesquisadores identificaram que a falta de sono interfere diretamente no hipocampo, região fundamental para a aprendizagem e a memória. Especificamente, a área CA2, responsável pela formação da memória social, sofre prejuízos na plasticidade sináptica — a capacidade do cérebro de fortalecer conexões neurais com base na experiência — quando o indivíduo dorme menos do que o necessário.
A ingestão de cafeína por sete dias, antes do período de privação de sono, mostrou-se eficaz na reversão dessas interrupções, tanto em nível molecular quanto comportamental. Essa descoberta abre portas para a compreensão de declínios cognitivos e pode orientar futuras terapias para distúrbios neuropsiquiátricos, como autismo, esquizofrenia e a doença de Alzheimer, condições que frequentemente apresentam comprometimento do hipocampo.
Especialistas alertam que, embora a cafeína melhore o foco e a atenção ao bloquear os receptores de adenosina (responsáveis pela fadiga), ela não substitui o sono. A dose considerada segura para adultos, segundo a EFSA e a FDA, varia entre 200 mg e 400 mg por dia, o equivalente a três ou quatro xícaras de café.
Para evitar a insônia e outros efeitos adversos, como ansiedade e taquicardia, recomenda-se que o consumo ocorra, no máximo, até as 16h, já que a substância permanece no organismo por um período de 5 a 7 horas.
O uso frequente de cafeína pode mascarar a privação crônica de sono, criando um ciclo vicioso. A longo prazo, a falta de repouso adequado pode levar ao ganho de peso, riscos cardiovasculares e aceleração da degeneração cerebral. A função cognitiva mais atingida no dia seguinte a uma noite mal dormida é a memória de trabalho (curto prazo), afetando o raciocínio complexo e a tomada de decisões.
A recomendação final é priorizar a higiene do sono, mantendo uma rotina de 7 a 8 horas de descanso fixas por noite, utilizando a cafeína apenas como um suporte pontual para a melhora do desempenho diário.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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