%2Fhttps%3A%2F%2Fi.s3.glbimg.com%2Fv1%2FAUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a%2Finternal_photos%2Fbs%2F2025%2FN%2FF%2Ffio1oARoKN3Pmgnocnfg%2F2025-05-08t172121z-348507561-rc2tdea4sjn7-rtrmadp-3-ww2-anniversary-russia-leaders.jpg&w=3840&q=75)
Caio Alves da Gama
Colunista
O Capitão Ibrahim Traoré, líder militar de Burkina Faso que ascendeu ao poder após um golpe em setembro de 2022, sinalizou sua intenção de governar por um período estendido, declarando a jornalistas que "as pessoas precisam esquecer a democracia" e que "a democracia mata". Inicialmente, Traoré havia se comprometido a realizar eleições em 2024, mas um ano após assumir o comando, declarou que o pleito só ocorrerá quando a segurança do país permitir a votação universal.
Em uma mesa-redonda exibida na TV estatal na quinta-feira (2), Traoré enfatizou que seu governo está concentrado em outros desafios, em um contexto onde Burkina Faso tem lutado por mais de uma década contra a insurgência de grupos islamistas ligados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico (EI). No entanto, um relatório divulgado pela Human Rights Watch na mesma quinta-feira trouxe à tona graves acusações: as forças militares de Burkina Faso e seus aliados teriam sido responsáveis pela morte de mais do dobro de civis em comparação aos militantes islamistas desde 2023.
Segundo a ONG, 1.225 civis foram mortos em 33 incidentes separados entre janeiro de 2023 e agosto de 2025, atribuídos às forças governamentais e aliadas. Em contraste, as milícias islamistas são apontadas como responsáveis por cerca de 600 mortes no mesmo período.
O governo de Traoré já havia suspendido atividades políticas e, em janeiro deste ano, dissolveu todos os partidos políticos. Antes do golpe, Burkina Faso contava com mais de 100 partidos registrados, com 15 deles representados no parlamento após as eleições de 2020. Essa medida segue um padrão observado em países vizinhos como Mali e Níger, também governados por juntas militares que chegaram ao poder através de golpes, e que igualmente dissolveram partidos políticos. A insurgência de milícias ligadas à Al-Qaeda e ao EI tem devastado a região, resultando em milhares de mortes e milhões de deslocados na última década.
Referência: Informações adaptadas de G1.
Carregando autenticação...
Carregando comentários...