
Sol Sertão Online
Colunista
A Ásia vive atualmente um cenário de profundas contradições econômicas. Enquanto gigantes da tecnologia e o avanço da inteligência artificial (IA) impulsionam lucros recordes e máximas históricas nas bolsas de valores, a população geral e nações menos tecnológicas enfrentam a severidade de uma crise global de energia e a alta inflação.
Na Coreia do Sul, por exemplo, as autoridades alertam para a desvalorização da moeda e recomendam a conservação de energia. No entanto, as maiores corporações do país ignoram a tendência negativa, registrando ganhos extraordinários.
O motor desse crescimento desigual é a indústria de semicondutores, agora considerada o "novo petróleo". A demanda explosiva por infraestrutura de IA elevou a posição de Taiwan e Coreia do Sul no cenário global. Em Taiwan, o PIB do primeiro trimestre cresceu 13,69%, o maior patamar em quase quatro décadas, impulsionado principalmente pela TSMC.
Em Seul, as gigantes Samsung Electronics e SK Hynix também reportaram lucros recordes. Especialistas apontam que essas empresas possuem um forte poder de precificação, conseguindo repassar os custos crescentes de energia para os clientes finais, mantendo a rentabilidade mesmo em tempos de crise.
No lado oposto dessa moeda, a instabilidade no Oriente Médio e a interrupção do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz elevaram os preços dos combustíveis a níveis recordes. Países como Índia, Filipinas e Tailândia, que dependem de indústrias tradicionais e serviços, não possuem as reservas financeiras ou tecnológicas para amortecer esse impacto.
Enquanto as economias avançadas do Leste Asiático conseguem garantir estoques, as nações mais vulneráveis enfrentam a ameaça de crises humanitárias e a desaceleração de suas atividades econômicas.
Esse fenômeno é classificado por economistas como a "economia em forma de K", onde as classes altas e setores de alta tecnologia prosperam (a haste ascendente do K), enquanto as classes baixas e setores tradicionais afundam em recessão e pobreza (a haste descendente).
O impacto social é evidente. Na Coreia do Sul, trabalhadores da Samsung ameaçam greves devido à estagnação salarial, evidenciando que a riqueza gerada pela IA não chega à base da pirâmide. Em Taiwan, a disparidade salarial entre engenheiros de chips e outros trabalhadores já chega a ser de cinco vezes.
Analistas alertam que essa fragmentação econômica não é apenas um problema regional. O aprofundamento da desigualdade de renda erode o poder de compra da maioria da população, o que pode comprometer o crescimento sustentável a longo prazo e aumentar o risco de agitação social e política.
Além disso, a tendência de recuperação em "K" já começa a ser observada nos Estados Unidos, onde o investimento em IA mascara a desaceleração do consumo e a alta dos preços dos combustíveis, sugerindo que a instabilidade asiática pode ter ramificações globais severas.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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