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Sol Sertão Online
Colunista
A BioNTech, empresa alemã que ganhou destaque global ao desenvolver a vacina de mRNA contra a covid-19, atravessa agora um momento de severa instabilidade financeira. A companhia anunciou um amplo plano de corte de custos após registrar um prejuízo líquido trimestral de 532 milhões de euros (aproximadamente R$ 3 bilhões).
Como consequência, unidades de produção na Alemanha e em Singapura serão encerradas, resultando no corte de cerca de 1.860 empregos. Analistas apontam que a crise decorre da dependência excessiva de um único produto e da queda brusca na demanda pela vacina Comirnaty, cuja receita no primeiro trimestre de 2026 recuou 35% em comparação ao ano anterior.
Um dos golpes mais significativos para a empresa é a saída de seus fundadores, Ugur Sahin e Özlem Türeci, que devem deixar o cargo até o fim do ano para lançar um novo empreendimento biotecnológico. A notícia provocou a queda de 18% nas ações da farmacêutica, gerando incertezas no mercado sobre a capacidade da BioNTech de manter sua vantagem inovadora sem a visão de seus criadores.
A reestruturação também trouxe à tona controvérsias relacionadas à aquisição da rival CureVac por 1,25 bilhão de dólares. Embora a compra tenha sido feita para encerrar litígios de patentes, a BioNTech incluiu a fábrica da CureVac, em Tübingen, na lista de fechamentos. A medida foi classificada por sindicatos e autoridades locais como uma estratégia de "terra arrasada", resultando na perda de capital intelectual e tecnológico na Alemanha.
Para tentar estabilizar as finanças e economizar cerca de 500 milhões de euros anuais até 2029, a BioNTech transferirá toda a produção de sua vacina contra a covid para a Pfizer. O foco estratégico da companhia agora retorna para a pesquisa de imunizantes de mRNA contra o câncer, com terapias voltadas para tumores de mama e pulmão.
A empresa projeta ter 15 ensaios clínicos de Fase 3 em andamento até o encerramento do ano, buscando transformar sua ciência em novas chances de sobrevivência para pacientes oncológicos.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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