%2Fhttps%3A%2F%2Fi.s3.glbimg.com%2Fv1%2FAUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a%2Finternal_photos%2Fbs%2F2026%2FT%2Fe%2FPlQzTZTKmJtjtiYnbCNw%2F1.webp&w=3840&q=75)
Sol Sertão Online
Colunista
Uma personagem virtual chamada Dona Maria, criada por inteligência artificial (IA), tornou-se um fenômeno nas redes sociais ao personificar uma mulher negra, idosa e indignada com a situação política do Brasil. Com milhões de visualizações, o perfil utiliza uma linguagem agressiva e palavrões para atrair engajamento, alcançando números de interação comparáveis aos de políticos tradicionais da direita brasileira.
O criador do perfil é Daniel Cristiano dos Santos, um motorista de aplicativo de 37 anos, residente de Magé (RJ). Ele utiliza ferramentas como o Gemini (do Google), a plataforma Flow e o ChatGPT para produzir os roteiros e os vídeos. Segundo Daniel, a agressividade da personagem é uma tática para "sobreviver" aos algoritmos das redes sociais, que tendem a impulsionar conteúdos que geram revolta social.
O conteúdo foca em temas de grande apelo popular, como a alta nos preços de alimentos e críticas diretas ao presidente Lula e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o criador, a página serve como complemento de renda e um espaço para expressar opiniões sem a necessidade de expor sua própria imagem.
Especialistas alertam que esse modelo de comunicação pode transformar a dinâmica das próximas eleições. A IA reduz drasticamente os custos de produção de material político, permitindo que candidatos com menos recursos ou campanhas não oficiais mobilizem eleitores de forma eficiente e, por vezes, invisível aos órgãos de fiscalização.
O risco não reside apenas na desinformação factual, mas na construção de um vínculo afetivo entre o público e o avatar. Ao naturalizar a personagem, o eleitor pode se tornar mais vulnerável a discursos manipuladores, especialmente em janelas críticas de votação, onde a emoção prevalece sobre a análise de fatos.
O caso já chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por meio de representações de partidos políticos que pedem a suspensão do perfil. No entanto, a regulação de contas criadas por cidadãos comuns — e não por campanhas partidárias oficiais — apresenta um desafio jurídico complexo.
Embora existam regras contra deepfakes e a obrigatoriedade de rotulagem de conteúdos gerados por IA, a natureza aparentemente "espontânea" de avatares como Dona Maria coloca a fiscalização em uma zona cinzenta, dificultando a responsabilização por possíveis abusos de poder político ou propagandas irregulares durante o ciclo eleitoral.
Referência: Informações adaptadas de G1.
Carregando autenticação...
Carregando comentários...