
Sol Sertão Online
Colunista
O governo do Irã emitiu um alerta sobre a fragilidade dos cabos submarinos localizados no Estreito de Ormuz, apontando-os como pontos críticos de vulnerabilidade para a economia digital regional e global. A região, já conhecida por ser um gargalo estratégico para o transporte de petróleo, revela-se igualmente vital para a infraestrutura de dados do planeta.
Essas redes de fibra óptica são essenciais para a conectividade mundial, ligando a Índia e o Sudeste Asiático à Europa, com passagens pelos Estados do Golfo e Egito. Segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT), aproximadamente 99% de todo o tráfego de internet do mundo depende desses cabos para funcionar.
A interrupção dessas linhas pode causar lentidão severa na internet, paralisar o comércio eletrônico e gerar atrasos críticos em transações financeiras. O risco é particularmente alto para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, nações que investiram bilhões de dólares em inteligência artificial (IA) e infraestrutura digital para reduzir a dependência do petróleo e agora dependem totalmente da alta velocidade de transmissão de dados.
Embora a sabotagem patrocinada por Estados seja um risco real, especialistas do Comitê Internacional de Proteção de Cabos (ICPC) apontam que entre 70% e 80% das falhas são acidentais, causadas principalmente por âncoras de navios e atividades de pesca. No entanto, em cenários de conflito militar, como o atual envolvendo o Irã, a probabilidade de danos não intencionais aumenta drasticamente.
Um exemplo ocorreu em 2024, quando embarcações atacadas por grupos alinhados ao Irã no Mar Vermelho ficaram à deriva, cortando cabos com suas âncoras. Além do dano físico, o reparo em zonas de guerra enfrenta obstáculos logísticos, como o risco de minas marítimas e a demora na obtenção de autorizações diplomáticas para acessar águas territoriais.
Apesar da existência de ligações terrestres, especialistas afirmam que sistemas de satélite não são substitutos viáveis para o volume de tráfego transportado pelos cabos submarinos. Redes de órbita baixa, como a Starlink, são consideradas soluções especializadas e não escaláveis para atender milhões de usuários simultaneamente, servindo primordialmente para aviação e navegação.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
Carregando autenticação...
Carregando comentários...