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Sol Sertão Online
Colunista
Em uma celebração ao 112º aniversário de nascimento de seu avô, o mestre Dorival Caymmi, a cantora Alice Caymmi lançou o álbum intitulado “Caymmi”. A obra propõe um novo olhar sobre o cancioneiro do compositor baiano, buscando caminhos contemporâneos para reinterpretar clássicos que já haviam sido lapidados pelo próprio autor e por sua filha, Nana Caymmi.
Com produção musical de Iuri Rio Branco, o disco mergulha nas águas da latinidade vintage, distanciando-se das tendências atuais do reggaeton. O resultado é uma sonoridade rica, onde a salsa tempera “Canção da partida” e o calypso transforma a batida de “Maracangalha”, deslocando a obra para novas latitudes.
Um dos pontos altos do álbum é a conexão ancestral entre Salvador e Kingston. Alice transita com naturalidade entre o reggae e ritmos locais, como o alujá do Candomblé em “Modinha para Gabriela” e a cadência do reggae em “O que é que a baiana tem?”. A raiz baiana permanece firme com a presença do ijexá em “Dois de fevereiro”.
A artista demonstra sua amplitude vocal em diversas atmosferas. Enquanto “Adeus” é envelopada por uma estética de trip-hop, a canção praieira “O bem do mar” destaca seus agudos. O álbum conta ainda com a colaboração de Doug Bone no trombone e trompete, e Theo Silva na guitarra, trazendo toques cubanos em faixas como “Morena do mar”.
Apesar das inovações harmônicas e do frescor rítmico, o projeto mantém total respeito às letras e melodias originais. Um exemplo disso é a faixa “Eu não tenho onde morar”, revitalizada com a cadência do reggae praieiro e toques de dub.
Ao evitar o tradicionalismo rígido, Alice Caymmi honra a dinastia da família e cumpre a missão de apresentar a obra-prima de Dorival Caymmi para as novas gerações.
Referência: Informações adaptadas de G1 Pop & Arte.
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