
Sol Sertão Online
Colunista
Um estudo recente publicado no JAMA Network Open trouxe um alerta importante para pais e profissionais da saúde: bebês que apresentam níveis de pressão arterial mais elevados nos primeiros dias de vida possuem um risco até 3,75 vezes maior de desenvolver hipertensão na idade escolar, em comparação com crianças que nasceram com valores normais.
A pesquisa acompanhou 500 crianças saudáveis desde o nascimento até os 11 anos de idade. As medições foram realizadas em três etapas cruciais: nos primeiros três dias de vida, entre os 4 e 6 anos e, novamente, entre os 9 e 11 anos.
Os resultados revelaram o chamado tracking, um fenômeno onde a pressão arterial tende a acompanhar a criança durante o crescimento. Isso significa que níveis elevados ao nascer aumentam significativamente a probabilidade de a criança permanecer em faixas pressóricas altas nos anos seguintes.
Segundo o cardiologista pediátrico Gustavo Foronda, do Hospital Israelita Albert Einstein, a trajetória da pressão é multifatorial. Elementos como o índice de massa corporal (IMC) da criança, o peso ao nascer, a idade gestacional e características maternas influenciam esse quadro.
O médico ressalta que a hipertensão infantil não é diagnosticada por valores fixos, como ocorre com os adultos. Na pediatria, a classificação depende da idade, sexo e altura, seguindo as diretrizes da Academia Americana de Pediatria, o que exige aferições padronizadas e repetidas para um diagnóstico preciso.
Embora a medição da pressão arterial ao nascer não seja uma prática rotineira, o estudo sugere que o monitoramento precoce, mesmo em crianças saudáveis, pode ser fundamental. O acompanhamento inicial pode ser feito pelo pediatra e, caso haja alterações persistentes, a criança deve ser encaminhada a um cardiologista.
A boa notícia é que a hipertensão é um fator de risco modificável. Intervenções precoces e mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, controle de peso e prática de atividade física, podem alterar a trajetória pressórica da criança.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo. Como a hipertensão na infância está ligada a problemas graves na vida adulta, como a rigidez arterial e a hipertrofia ventricular esquerda, a identificação precoce torna-se uma estratégia vital para reduzir o risco cardiovascular ao longo de toda a vida.
Referência: Informações adaptadas de UOL.
Carregando autenticação...
Carregando comentários...