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Sol Sertão Online
Colunista
A usina nuclear de Zaporizhzhia, a maior da Europa, atravessa dias de extrema tensão devido à proximidade com as frentes de combate entre Rússia e Ucrânia. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a central ficou totalmente sem energia externa pela 13ª vez desde o início do conflito, após a desconexão de sua última linha de transmissão.
Simultaneamente, as instalações nucleares no Irã também permanecem no centro de tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Israel. Esses cenários extremos reacendem o temor global sobre a possibilidade de um desastre nuclear de grandes proporções, evocando a memória da tragédia de Chernobyl.
Apesar do temor, especialistas alertam que os riscos atuais diferem significativamente dos que levaram ao desastre de 1986. O professor Renato Cotta, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca que não é correto afirmar que qualquer reator possa explodir como Chernobyl, pois os projetos são radicalmente distintos.
A usina de Chernobyl utilizava reatores do modelo RBMK, que possuíam falhas graves de projeto e um coeficiente de vazio positivo, tornando-os instáveis. Já as usinas de Zaporizhzhia e as instalações no Irã utilizam reatores da família VVER.
O modelo VVER é refrigerado por água pressurizada e apresenta um coeficiente de vazio negativo, o que significa que o sistema tende a se autoestabilizar. Além disso, essas centrais possuem estruturas de contenção em concreto armado, projetadas para resistir a eventos externos e limitar a liberação de material radioativo.
Para entender o risco atual, é preciso olhar para o exemplo de Fukushima, em 2011. Naquele caso, um tsunami destruiu os geradores a diesel, impedindo o resfriamento do reator e levando à fusão do núcleo e explosões de hidrogênio.
Embora os reatores VVER sejam mais seguros, o risco em contextos de guerra é sistêmico. A AIEA enfatiza que a instabilidade operacional prolongada reduz as redundâncias de segurança. Quando uma usina perde repetidamente sua fonte de energia externa, a capacidade de manter os sistemas de resfriamento ativos é comprometida, elevando a probabilidade de incidentes graves, independentemente do modelo do reator.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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