
Sol Sertão Online
Colunista
A combinação de conflitos geopolíticos e instabilidades climáticas acendeu um alerta para a economia brasileira. Especialistas preveem que a inflação de alimentos, que apresentou comportamento benigno em 2025, pode subir acima do IPCA nos próximos dois anos, dificultando a meta de 3% estabelecida pelo Banco Central.
Dois fatores principais impulsionam essa pressão inflacionária. O primeiro é a escalada nos preços dos fertilizantes, agravada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, que comprometeu o escoamento de insumos essenciais para a agricultura. O segundo fator é a probabilidade de um El Niño forte em 2026, que coincidiria com o período de seca na região Sudeste, prejudicando a produção agrícola.
De acordo com análises de mercado, esse cenário extremo poderia adicionar até 2 pontos porcentuais à alta do IPCA no acumulado do biênio. A preocupação é central, visto que o grupo de alimentação e bebidas representa 21,3% do IPCA e chega a 24,3% do INPC, afetando principalmente as famílias de menor renda.
O impacto nos preços não ocorre de forma uniforme. Alguns itens apresentam repasse quase imediato (em até um mês) após choques de custos, como carnes, aves, ovos, leite e derivados, panificados, óleos e gorduras. Já cereais, leguminosas e alimentação fora de casa tendem a ter um ajuste médio, entre dois e quatro meses.
Itens como farinha, massas e bebidas possuem um repasse mais lento, ocorrendo após cinco meses. No entanto, o custo do transporte, influenciado pelo preço do barril de petróleo Brent, e o encarecimento dos fertilizantes devem elevar o custo final de quase toda a cesta básica.
No setor produtivo, a preocupação com os insumos já é realidade. Produtores tentam travar preços para evitar prejuízos, mas a tendência é que os custos sejam repassados ao consumidor final. Estimativas indicam que, em anos de El Niño, a inflação anual média de alimentos costuma saltar de 6,1% para 11,6%.
Em um cenário pessimista, onde a seca atinja a segunda safra de milho e haja desvalorização cambial, a inflação de alimentos poderia atingir 10% ainda este ano. Embora não seja a projeção mais provável, o risco é considerado real e impõe um desafio adicional ao controle monetário do país.
Referência: Informações adaptadas de CNN Brasil.
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