
Sol Sertão Online
Colunista
A China está atravessando uma transformação profunda em seu modelo de negócios. Conhecida historicamente como a "oficina do mundo" por fabricar produtos para empresas ocidentais, o país agora lidera um movimento chamado chū hǎi ("sair para o mar"). O objetivo é claro: deixar de ser apenas o fornecedor de itens baratos para se tornar dono de marcas de consumo reconhecidas e desejadas globalmente.
Essa mudança é visível em diversos setores. No ramo de bebidas, redes como Mixue, Molly Tea e Chagee estão atraindo multidões não apenas na Ásia, mas também em cidades como Londres, Sydney e Los Angeles. A Mixue, por exemplo, já opera mais lojas globalmente do que gigantes como McDonald's ou Starbucks.
No varejo, a Miniso utiliza seu know-how de produção e licenciamentos com marcas como Disney e Marvel para operar em mais da metade dos países do mundo. Já no setor esportivo, a Anta consolidou-se como a terceira maior marca do planeta, atrás apenas de Nike e Adidas, expandindo sua presença através da aquisição de marcas internacionais como Salomon e Wilson.
Um dos exemplos mais emblemáticos dessa transição é a BYD, que superou a Tesla como a maior fabricante de veículos elétricos (VEs) do mundo. Além da produção de carros, a empresa está construindo um ecossistema completo, desenvolvendo sistemas de carregamento ultrarrápido para ampliar a autonomia dos veículos em poucos minutos.
A necessidade de expansão global é impulsionada por fatores internos. A desaceleração da economia chinesa, a concorrência doméstica feroz e o declínio da taxa de natalidade forçaram as empresas a buscar novos mercados. Essa pressão é tão forte que marcas estrangeiras estão perdendo espaço dentro da própria China; a Starbucks, por exemplo, viu sua fatia de mercado cair drasticamente diante do avanço da rede local Luckin Coffee.
Para mitigar riscos, muitas empresas utilizam o sudeste asiático como campo de testes antes de avançarem para o Ocidente. A rede de restaurantes Haidilao é um exemplo, adaptando seus menus e buscando certificações religiosas, como a halal, para entrar em mercados muçulmanos no Oriente Médio.
Embora a percepção do Made in China esteja evoluindo de "produto barato" para "inovação e design moderno", os desafios permanecem. Tarifas de importação, tensões políticas e preocupações com a segurança de dados continuam a ser barreiras significativas, como observado nos casos de Huawei e TikTok.
Apesar dos obstáculos, a trajetória é definitiva: as empresas chinesas não competem mais apenas pelo preço, mas sim pela capacidade de inovar, adaptar-se culturalmente e superar concorrentes globais estabelecidos.
Referência: Informações adaptadas de G1.
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