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Início/Saúde
Além da Perda de Peso: Por que o tratamento da obesidade com 'canetas' pode ser prolongado
Saúde
semaglutida, ozempic — Foto: Freepik

Além da Perda de Peso: Por que o tratamento da obesidade com 'canetas' pode ser prolongado

SS

Sol Sertão Online

Colunista

27 de abril de 2026
5 min de leitura

A ciência moderna classifica a obesidade como uma doença crônica, progressiva, inflamatória e multifatorial. Diferente de problemas pontuais, a condição exige manejo contínuo e engajamento do paciente, assemelhando-se ao controle de patologias como a hipertensão e a asma.

O papel das 'canetas emagrecedoras'

Os medicamentos popularmente conhecidos como 'canetas emagrecedoras', que utilizam princípios ativos como a semaglutida (presente no Ozempic, Wegovy e Rybelsus) e a tirzepatida (Mounjaro), atuam em mecanismos biológicos que regulam a fome, a saciedade e o gasto energético.

Essas substâncias imitam hormônios intestinais, reduzindo o apetite e retardando o esvaziamento do estômago. No entanto, é fundamental compreender que tais fármacos auxiliam no controle da doença, mas não a curam. Por isso, em diversos casos, o uso prolongado é necessário para evitar o reganho de peso.

O risco do efeito rebote e a biologia do corpo

A interrupção do tratamento pode desencadear mecanismos de defesa do organismo. Quando ocorre a perda de peso, o corpo pode interpretar a situação como um risco de escassez alimentar, reduzindo o metabolismo basal e aumentando a produção de grelina, o hormônio que estimula a fome.

Além disso, as células de gordura não são eliminadas durante o emagrecimento; elas apenas diminuem de tamanho, permanecendo aptas a armazenar gordura novamente, especialmente se fatores como a ansiedade e a compulsão alimentar não forem tratados.

Casos que exigem atenção redobrada

A necessidade de tratamento prolongado torna-se ainda mais evidente em situações específicas, como:

- Histórico de obesidade na infância ou adolescência;
- Obesidade associada ao diabetes;
- Menopausa, período em que a queda do estrógeno favorece o acúmulo de gordura visceral, elevando os riscos de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Nesses cenários, os medicamentos combatem a síndrome metabólica, melhorando o controle glicêmico e reduzindo a pressão arterial e o colesterol.

A importância do suporte multidisciplinar

A suspensão da medicação só é recomendável sob supervisão médica e em casos de pacientes que consolidaram a mudança de hábitos. O combate ao sedentarismo e a reeducação alimentar são pilares essenciais, pois mesmo cirurgias bariátricas podem falhar se não houver adaptação ao novo estilo de vida.

Para isso, é indispensável um acompanhamento multidisciplinar envolvendo endocrinologista, nutricionista, psicólogo e profissional de educação física.

Acesso e Saúde Pública

Atualmente, o alto custo dos medicamentos limita o acesso de grande parte da população brasileira. No entanto, a expiração da patente da semaglutida no Brasil poderá mudar este cenário, permitindo a produção de genéricos e similares, tornando a discussão sobre a obesidade não apenas médica, mas uma prioridade de saúde pública.


Referência: Informações adaptadas de G1.

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