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Sol Sertão Online
Colunista
O cenário musical brasileiro atravessa um momento de redescoberta do reggae. Estrelas do pop atual, como Iza, Anitta e Marina Sena, têm incorporado a sonoridade jamaicana em seus lançamentos, sinalizando uma tendência de retorno do gênero ao centro das atenções. A movimentação coincide com a celebração do Dia Nacional do Reggae, destacando a resiliência do estilo no país.
Dados de estudos recentes indicam que o reggae permanece como um dos ritmos preferidos dos brasileiros, figurando em posições de destaque em rankings de preferência musical. Para a cantora Iza, que planeja um álbum inteiramente dedicado ao gênero, esse movimento reflete a valorização de uma história rica que se manifesta em diversas vertentes, desde o Olodum até o xote.
Especialistas apontam que a música é cíclica e que a cultura jamaicana exerce uma influência profunda no Brasil, refletindo-se inclusive na cultura dos paredões e em subgêneros da música eletrônica. Segundo a produtora executiva da banda Tribo de Jah, Juliana Beydoun, a aproximação de artistas do mainstream com o reggae demonstra a relevância do ritmo em alcançar novas gerações e públicos diversificados.
Apesar da força cultural, o gênero ainda enfrenta desafios para dominar as plataformas digitais e as rádios, atualmente lideradas pelo funk e pelo sertanejo. Enquanto as músicas de reggae raramente figuram no topo dos rankings de streaming, a realidade dos shows presenciais conta uma história diferente.
A vitalidade do reggae é comprovada pelo sucesso de público de nomes consolidados. A banda Natiruts, por exemplo, surpreendeu a indústria ao lotar arenas e estádios durante sua turnê de despedida entre 2024 e 2025. Outro marco significativo foi a presença de Edson Gomes no Lollapalooza 2026, evidenciando que o interesse do público pelo gênero continua latente e fiel.
Além disso, a versatilidade do ritmo tem sido explorada em projetos como o de Maneva, que transforma sucessos de diversos gêneros em reggae, reforçando a ideia de que a sonoridade jamaicana consegue se adaptar e dialogar com qualquer estilo musical.
O debate sobre a massificação do ritmo remete à máxima de Bob Marley, que defendia o reggae não apenas como algo dançante, mas como um veículo de mensagens sobre paz, justiça social e resistência. Analistas alertam que, embora o sucesso comercial amplie o alcance, existe o risco de o gênero se tornar apenas uma estética, perdendo sua essência questionadora.
Ainda assim, a expansão do reggae para eventos populares, como Carnaval e São João, prova que o estilo deixou de ser um nicho sazonal para ocupar espaços amplos e permanentes no entretenimento brasileiro.
Referência: Informações adaptadas de G1 Pop & Arte.
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